Exercícios e gabaritos (Cap. 5, 6, 7 e 8)

Exercícios extras de História:

 Cap. 5

1 – (UFES) – Refletindo sobre a organização do sistema produtivo das colônias hispano-americanas, é possível afirmar que a utilização da mão-de-obra indígena,

I – embora predominante no século XVI, foi progressivamente abandonada nos séculos seguintes, em decorrência da vigorosa campanha movida contra ela pelas monarquias protestantes européias, que tentavam desse modo  desarticular o sistema colonial espanhol de credo católico.

II – foi extinta a partir de meados do século XVII, quando a “plantation!”  açucareira, outrora restrita à América central, se difundiu pelas demais colônias espanholas, exigindo assim a captação no exterior de escravos africanos , cujo trabalho era mais rentável do que o indígena.

III – processou-se, por meio da “encomienda”, espécie de contrato de parceria  segundo o qual o “encomendero” (espanhol) fornecia o capital, e os indígenas, a mão-de-obra para o desenvolvimento de uma determinada atividade colonial, repartindo-se igualmente os lucros obtidos.

IV – efetuou-se, em determinadas regiões, a partir da “mita”, instituição de origem incaica adaptada pelos espanhóis, a qual consistia em recrutar,  para o trabalho nas minas, cidades e fazendas, indivíduos escolhidos no seio das comunidades por sorteio, pagando-se um salário ínfimo pelos serviços prestados.

V – nos termos em que se deu, acarretou a desestruturação das comunidades, as quais, com a exigência de trabalhos excessivos, não encontravam meios de reproduzir suas relações tradicionais, sendo então esvaziadas pela dizimação, pela fuga ou pela autodestruição dos seus membros.

Está(ão) corretas :

A) I e III               B) II e III               C) III e IV               D) II e IV               E) IV e V     

 

2 – (?) – Com relação à colonização do continente americano pela Espanha e pela Inglaterra, podemos afirmar que :

  1. a colonização espanhola baseada no trabalho compulsório indígena, nos séculos XVI e XVII, predominou nas áreas mineradoras do México e Peru. 
  2. a colonização inglesa da América do Norte baseava-se em dois tipos distintos de organização econômica: o das colônias do Norte com agricultura familiar e atividades manufatureiras, e o das colônias do Sul, com grande lavoura escravista de exportação.
  3. a colonização inglesa na região do Caribe – Jamaica, Trinidad-Tobago, Guiana–, no século XVII, baseava-se no trabalho escravo indígena e na grande lavoura de exportação.
  4. Assinale a opção que corresponde à(s) afirmativa(s) correta(s):

A) somente 1            B) somente  2            C) somente 2 e 3            D) somente 1 e 2            E) somente 1 e 3       

 

3 – (UFF) – Quanto à colonização européia na América, nos séculos XVI ao XVIII, pode-se afirmar que:

1. acolonização espanhola se fundamentou no cultivo da cana e na produção de açúcar nas Antilhas (sobretudo em Cuba), sustentados pela mão-de-obra escrava, existindo nas áreas mineradoras do México e Peru para atender às demandas de investimento constantes nas áreas açucareiras.
2. a colonização espanhola teve como eixo as áreas mineradoras do México e Peru e a exploração da mão-de-obra indígena, estabelecendo-se, nas outras regiões do continente, diversas atividades econômicas
que complementavam as necessidades das áreas mineradoras e atendiam às demandas metropolitanas.
3. a colonização inglesa e francesa na América do Norte procurou, inicialmente, adotar a mesma estrutura da colonização espanhola, com base na atividade mineradora, mas, tão logo verificou-se a inexistência de riquezas minerais naquela região do continente, foi redirecionada para o cultivo da cana e a produção de açúcar no Caribe, desenvolvidos pela mão-de-obra escrava.

4. acolonização inglesa e francesa na América do Norte foi diversificada, mas nas Antilhas priorizou o cultivo da cana e a produção de açúcar, desenvolvidos pela mão-de-obra escrava, estabelecendo-se, nas outras áreas, atividades econômicas que completavam as necessidades das áreas açucareiras das metrópoles.
Estão corretas as afirmativas:
A) 2 e 3                    B) 2 e 4                    C) 1 e 3                    D) 3 e 4                    E) 1 e 4                     

 

4 – (UFF) – “A colonização espanhola caracterizou-se largamente pelo que faltou  à portuguesa: por uma aplicação insistente em assegurar  o predomínio militar, econômico e político da metrópole sobre as terras conquistadas, mediante a criação de grandes núcleos de povoação estáveis e bem ordenados”.  HOLANDA, Sérgio Buarque de. Raízes do Brasil. Rio de Janeiro: José Olímpio, 1962

O trecho acima indica uma das principais diferenças entre a colonização espanhola e a portuguesa na América.

Analise as afirmativas abaixo e selecione aquelas que exprimem corretamente as diferenças entre os estilos espanhol e português de colonização.

os espanhóis se lançaram desde cedo ao interior do continente americano, fazendo das cidades um instrumento de dominação colonial, ao passo que os portugueses se mantiveram longo tempo apegados ao litoral, explorando o pau-brasil e a lavoura canavieira.

os espanhóis cuidaram, desde o século XVI, de montar uma estrutura eclesiástica poderosa, ao contrário dos portugueses, cuja colonização eclesiástica se limitou, em grande medida à ação dos jesuítas.

os espanhóis   não escravizaram negros, somente índios, ao passo que os portugueses fizeram do tráfico africano a base da economia colonial.

os espanhóis   foram racistas em relação aos índios, africanos e mestiços, chegando mesmo a construir um “sistema de castas”, ao contrário dos portugueses, que desde o início se miscigenaram com índios e negros.

Assinale a opção que contém apenas afirmativas corretas:

A) 1 e 2                   B) 1 e 3                    C) 1 e 4                    D) 2 e 3                    E) 2 e 4                      

5 – (UNIRIO) – A colonização européia na América assumiu aspectos distintos, em função das práticas colonizadoras das metrópoles européias.  Considerando essa diversidade, podemos afirmar que:

a catequese e a evangelização dos nativos motivaram a colonização inglesa.

a pequena e média propriedade agrícola caracterizaram a ocupação espanhola.

a base econômica das 13 colônias da América do Norte residia na exploração de metais preciosos.

o povoamento do território constituiu a prioridade da colonização espanhola.

a mão-de-obra indigna contribuiu para a organização da produção colonial espanhola. 

 

6 – (UFMG – 2007) – “O objetivo das colônias é o de fazer o comércio em melhores condições [para as metrópoles] do que quando é praticado com os povos vizinhos, com os quais todas as vantagens são recíprocas. Estabeleceu-se que apenas a metrópole poderia negociar na colônia; e isso com grande razão, porque a finalidade do estabelecimento foi a constituição do comércio, e não a fundação de uma cidade ou de um novo império…” ( MONTESQUIEU. Do espírito das leis (1748). São Paulo: Martin Claret, 2004, p.387) n

Considerando-se  as informações desse trecho, é  INCORRETO  afirmar que as colônias européias na Época Moderna

deveriam levar ao estabelecimento e ao incremento do comércio, regulando-se em função dos interesses recíprocos entre as colônias

deveriam  oferecer às metrópoles melhores condições de comércio que as verificadas entre os países europeus e seus vizinhos.

estariam sujeitas ao exclusivo comercial das metrópoles, cujos negócios essas colônias deveriam incrementar.

foram estabelecidas com finalidades comerciais pois inicialmente não era objetivo das metrópoles fundar um novo império.  

 

7 – (UFRRJ 2003 adaptada) – Para garantir o monopólio do comércio com as colônias americanas, a Espanha criou órgãos administrativos,dentre os quais:

o Governo Geral e os chapetones.

a Companhia das Índias Ocidentais e os Cabildos.

o Concílio de Trento e as  Donatarias 

a Casa de Contratação e o Conselho das Índias.

O Conselho Ultramarino e a confederação asteca       

 

8 – (CESGRANRIO) – Durante o século XV, o comércio europeu com o Oriente foi ameaçado pelo avanço dos turcos otomanos no Mediterrâneo. Nesse sentido, podemos afirmar que a expedição de Pedro Álvares Cabral representou:

o coroamento dos esforços dos monarcas portugueses para reprimir militarmente os avanços muçulmanos;

o empenho da Igreja em cristianizar o maior número possível de infiéis;

a busca de metais preciosos no litoral americano, necessários à continuidade do comércio com as especiarias;

a possibilidade de controle exclusivo da rota marítima pelo Cabo da Boa Esperança, porta para o Oriente;

a tentativa de obtenção de novas terras para os nobres portugueses, empobrecidos desde a crise feudal do século XIV.

 

9 – (UFMG – 2007)

Considerando as informações da ilustração acima e seus conhecimentos sobre o assunto, é CORRETO afirmar que :

a) as Antilhas britânicas com uma economia basicamente escravista ocupavam um papel secundário tanto para os interesses metropolitanos quanto nos intercâmbios comerciais  das colônias inglesas da América do Norte.

b) as colônias inglesas do norte e do centro desenvolveram um intenso comércio intercontinental com as Antilhas, a áfrica e a Europa em detrimento das colônias inglesas do sul que permaneceram isoladas.

c) o  comércio intercontinental se desenvolveu nas colônias inglesas da América do Norte, apesar das tentativas ineficazes de aplicação das leis de Navegação por parte da metrópole.

 D) os comerciantes metropolitanos compravam produtos manufaturados da América inglesa onde a atividade fabril era intensa,  em razão da abundância de matérias-primas e de mão-de-obra barata.                        

10 – (pvs)  “Sabe-se que Cristóvão Colombo não descobre a América, pois imagina estar chegando à Ásia, à ilha de Cipango [o Japão], perto da costa da China e da corte do Grão-Cã. O que procurava? As .Ilhas Douradas., Tarsis e Ofir, de onde saíam as fabulosas riquezas que o rei Salomão explorara [...]. Aliás, o Almirante era um homem obstinado. Convencido de ter chegado ao Continente Asiático quando desembarcou em Cuba, ele obrigou seus partidários a partilharem de sua idéia fixa.”

GRUZINSKI, Serge. A passagem do século. 1480-1520: as origens da globalização. São Paulo: Companhia das Letras, 1999. p.21.

Considerando-se as informações desse texto, é CORRETO afirmar que

A) a obstinação de Colombo o levou a atingir as remotas regiões do Japão e da China, onde estariam as riquezas que . dizia-se . haviam sido exploradas pelo rei Salomão e pelo Grande Cã.

B) a busca das maravilhas relatadas em livros de viagens, desde os tempos medievais, se constituiu em um dos fatores que incentivaram as grandes navegações no início dos tempos modernos.

C) o desembarque de Colombo em Cuba, na sua segunda viagem, acabou por convencê-lo e a sua frota de que eles haviam chegado a uma terra ainda por descobrir . possivelmente as famosas .Ilhas Douradas..

D) a descoberta da América foi feita por Américo Vespúcio, uma vez que Colombo,de acordo com novos estudos, atingiu, na sua primeira viagem, o Continente Asiático, onde foram fundadas feitorias.

 

 

11 – (PUC- Rio  2006) – a conquista e a colonização européias na América, entre os séculos  XVI e XVIII, condicionaram a formação de sociedades coloniais diversas e particulares. Sobre tais sociedades podemos afirmar que:

I — nas áreas de colonização espanhola, explorou-se, exclusivamente, a força de trabalho das populações  ameríndias, sob a forma de relações servis, como a mita e a encomienda.

II — nas áreas de colonização portuguesa, particularmente nas regiões destinadas ao fabrico do açúcar, foi empregada, em larga escala, a mão-de-obra escrava de negros africanos e/ou de indígenas locais.

III – ao norte do litoral atlântico norte-americano, área de colonização inglesa, houve o estabelecimento de pequenas e médias propriedades, nas quais se utilizou tanto o trabalho livre quanto a servidão por contrato.

IV – na região do Caribe, em áreas de colonização inglesa e francesa, assistiu-se à implantação da grande lavoura, voltada para a exportação assentada no uso predominante da mão-de-obra de escravos africanos.

  Assinale a alternativa correta.

apenas as afirmativas I e II estão corretas.

apenas as afirmativas I e II  e III estão corretas.

apenas as afirmativas II e III  e IV estão corretas.

apenas as afirmativas I e III  e IV estão corretas.

todas as afirmativas estão corretas.

 

12 – (UFRRJ 2004) – O texto abaixo  trata das incursões francesas na América; entretanto, essas ainda não representavam que a França tivesse dado início à sua expansão.

 “Ao longo do século XVI, os franceses estiveram na América, mas isso não significava uma atitude sistemática e coerente desenvolvida pela Coroa. Era, no mais das vezes, atuação de corsários e uns poucos indivíduos. Como exemplo, pode-se mencionar as invasões do litoral brasileiro, (…) e algumas visitas à América do Norte. “(FARIA, R. de M. e outros. História para o ensino médio. Belo Horizonte:Lê, 1998,p.182)

Dentre os motivos que levaram a França a iniciar tardiamente sua expansão marítima e comercial, podemos destacar:

a) os problemas internos ligados à consolidação do Estado Nacional.

b) a derrota da França na violenta guerra contra a Alemanha.

c) a falta de associação entre a Coroa e a burguesia francesa.

d) a violenta disputa entre calvinistas e luteranos.

e) A não inclusão das classes superiores no projeto expansionista.

13 – (UFRRJ 2004) – O texto a seguir refere-se ao período do início da transição do feudalismo para o capitalismo.

 “ A expansão navegadora que decorreu do desenvolvimento mercantil ao  fim do medievalismo é contemporânea da cisão religiosa definida com a Reforma. Como aquela expansão foi capitaneada pelas nações católicas, a “colonização” e a catequese religiosa confundiram-se.”

(SODRÉ, N.W. História da cultura brasileira. Rio de Janeiro:Bertrand Brasil, 1999, p.15)

A articulação entre catequese e colonização na América pode ser entendida:

a) pelo interesse do colonizador europeu em conquistar a confiança do ameríndio, conhecedor dos caminhos que levaram às minas  de metais preciosos existentes em toda a região continental americana.

b) como uma preocupação quanto ao risco de influência das religiões dos africanos, trazidos à América para o trabalho escravo, sobre os ameríndios, afastando-os da “verdadeira” religião (cristã).

 c) pela busca da melhoria do trabalho do ameríndio através da influência de uma cultura superior (a européia), o que garantiria uma possibilidade de ascensão social do indígena a médio ou longo prazo.

D) Como resultado de um conflito entre Igreja Católica e os governantes dos Estados Modernos europeus, todos em busca de afirmação política e econômica, apresentando assim antagonismos inconciliáveis.

E) pela fusão  de interesses nem sempre pacíficos dos Estados colonizadores e da Igreja Católica visando, entre outros objetivos, a maior exploração do “gentio” e seu afastamento da pregação reformista

14 – (UNRIO) – Na época de transição feudalismo/capitalismo, o capital mercantil vinculava-se a uma nova estrutura do Estado, ora beneficiado pelas práticas mercantilistas, ora pela montagem do Antigo Sistema Colonial. Pode-se identificar como uma característica do Pacto Colonial:

a compra de produtos coloniais por preços elevados e a venda de manufaturados metropolitanos por preços irrisórios.

estímulo à produção agrícola das colônias objetivando sua própria subsistência.

O consumo dos manufaturados metropolitanos pelas colônias e a exportação de bens lucrativos para a metrópole.

O predomínio de investimentos em atividades coloniais e não em atividades agrícolas.

O livre comércio colonial com as metrópoles européias e com a Ásia, principalmente.

15 – (PUC- Rio adaptada) – “ A integração das economias coloniais ao comércio internacional traduziu-se na produção de riquezas através da exploração da força de trabalho na terra conquistada”. Em conseqüência dessa relação econômica, NÂO podemos afirmar que houve:

transferência do excedente econômico para as metrópoles ibéricas.

liberalização dos monopólios e privilégios reais nas colônias.

empobrecimento econômico das  regiões coloniais.

controle sobre o comércio colonial.

Desenvolvimento de centros colonizadores de ultramar.

 

 

16 – (UFU 2008) – Leia o seguinte trecho: “Montezuma e muitos dos principais da cidade ficaram comigo até destruir os ídolos, limpar as capelas, colocar as imagens e todos com alegre semblante. Defendi que não matassem criaturas aos ídolos, como costumavam, pois, além de ser abominável a Deus, Vossa Sacra Majestade, por suas leis, proíbe e manda que se mate o matador. Dali em diante, deixaram de fazer aquilo e, em todo o tempo que eu fiquei na cidade, nunca se viu matar nem sacrificar criatura alguma.”     CORTÉS, Hernán. Cartas de Relación.México: Editorial Porrúa, 1994, p. 65.

Interprete o texto acima com base em seus conhecimentos sobre os primeiros cofrontos entre espanhóis e astecas e marque para as afirmativas abaixo (V) verdadeira, (F) falsa ou (SO) sem opção.

1 (   ) Cortés pressupunha que Montezuma era súdito do rei da Espanha e, portanto, que os súditos de Montezuma estavam sujeitos às leis da coroa Espanhola.

2 (   ) Os espanhóis, depois de conquistarem o México, escravizaram o Imperador Montezuma e outros principais, fazendo-os trabalhar na destruição de seus templos e na construção de Igrejas.

3 (   ) Montezuma estabeleceu relações amigáveis com Cortés, concordando com diversas mudanças impostas pelos conquistadores espanhóis, dentre as quais estava a não realização de sacrifícios aos “ídolos”.

4 (   ) Cortés acreditava que Montezuma, embora parecesse amigável, mais cedo ou mais tarde o trairia, desse modo o expunha a trabalhos manuais, desmoralizando-o perante os demais principais da cidade.

 

 

17 -  ( UFU 2009)- Os textos abaixo apresentam o ponto de vista de seus respectivos autores sobre um mesmo processo histórico: a conquista e colonização da América.

Texto 1 : “Nosso mundo acaba de descobrir outro não menor, nem menos povoado e organizado do que o nosso [...]. Era um mundo na infância e o submetemos ao açoite e a uma dura escravidão, mercê de nossa superioridade em armas. [...] Aproveitamo-nos de sua ignorância e inexperiência e lhes ensinamos a prática da traição, da luxúria, da avareza; e os impelimos aos atos de crueldade e de inumanidade. Ter-se-á jamais perpetrado tanto crime em benefício do comércio?”  MONTAIGNE, M. E. de. Ensaios. Brasília: Universidade de Brasília; Hucitec, v. 3, 1987. p. 233-235.

Texto 2 :

“Magarefes de cólera e forca,

[...]

Representastes no pó

dourado do Inca, o teatro

dos infernos imperiais:

a Rapina de focinho verde,

a Luxúria azeitada em sangue,

a Cobiça de unhas de ouro,

a Traição, avessa dentadura,

a Cruz como um réptil rapace,

a Força num fundo de neve,

e a Morte fina como o ar

imóvel em sua armadura.”  NERUDA, P. Canto Geral.São Paulo: Difel, 1984. p. 61.

Tendo como referência os textos acima e considerando os processos históricos da conquista e colonização européia da América, marque para as alternativas abaixo (V) Verdadeira, (F) Falsa ou (SO) Sem Opção.

1 (    ) A superioridade das armas espanholas impossibilitou qualquer resistência das sociedades indígenas à conquista e colonização da América. Submetidos aos espanhóis pelas armas, os indígenas foram escravizados legalmente durante o período colonial para servirem de mão-de-obra na produção de riquezas minerais e agrícolas que beneficiavam exclusivamente a metrópole.

2 (    ) O “teatro dos infernos imperiais” (versos do poema de Neruda) pode ser identificado com o colonialismo europeu na América. A rapina, a luxúria, a cobiça, a traição, a cruz, a força e a morte constituíram as práticas e os instrumentos condenáveis utilizados pelo europeu para submeter e explorar as populações

indígenas.

3 (   ) Constata-se, no descobrimento, na conquista e colonização da América, a associação entre interesses privados de comerciantes, de aventureiros em busca de riqueza, de nobres com cargos administrativos e os interesses públicos das Monarquias Nacionais e da Igreja.

4 (    ) Pode-se identificar no texto de Montaigne que os crimes perpetrados “em benefício do comércio” se referem às guerras que a Inglaterra, a França e a Holanda travavam contra a Espanha e Portugal para romperem o Exclusivo Comercial e para implantarem o livre mercado.

 

Cap. 6

1- (UFRRJ 2007) – “(…) mais fortes, mais robustos, mais entroncados, mais bem dispostos e menos sujeitos a moléstias, havendo entre eles muito poucos coxos, disformes, aleijados ou doentios.” (Jean de Lery, Viagem à Terra do Brasil, RJ, BIBLIEX, p. 101)

O discurso de Lery, um dos primeiros mais detalhados sobre a vida dos ameríndios no litoral da América Portuguesa, destoa de uma visão tradicional de incapacidade para o trabalho da qual o indígena seria portador, o que justificaria a importação de africanos para o trabalho escravo. Esta interpretação mascara dois preconceitos:

a) o português não serviria como trabalhador na colônia por sua aversão à atividade agrícola e sua total incapacidade de viver em um ambiente tropical desprovido dos prazeres existentes em sua terra de origem.

b) a América Portuguesa, ao contrário da Espanhola, seria incapaz de gerar riquezas para a sua metrópole, e seus habitantes tradicionais sempre foram hostis para com os colonos, dificultando o contato entre eles.

c) o ameríndio, desacostumado às práticas do trabalho sistemático para outro, era tratado como preguiçoso, enquanto o africano, retirado à força de sua terra, recebia a pecha de ser um “bom trabalhador” (escravo).

d) as práticas indígenas de canibalismo e as guerras inter-tribais horrorizavam os colonos, o que levou a repudiar qualquer contato entre eles e a estimular a vinda de africanos muito mais civilizados.

e) o ameríndio sempre foi dócil à ação dos missionários católicos que impediam a sua escravização, enquanto os africanos, por sua formação islâmica, em sua maioria, reagiam com violência, à pregação jesuítica.

 

 

2 – Cederj 2009-1  “Achamos toda a terra habitada por gente nua, tanto os homens como as mulheres, sem cobrir suas vergonhas. (…) Não têm nem lei nem fé alguma. Vivem segundo a natureza. Não conhecem a imortalidade da alma. Não possuem entre si bens próprios, porque tudo é comum. (…) não têm rei, nem obedecem a ninguém:cada um é senhor de si.”

Este é um trecho da carta que o navegante Américo Vespúcio escreveu ao visitar o litoral brasileiro em 1502.

Nesse trecho, ele se referia aos indígenas brasileiros.

Sua maneira de descrever o modo de vida dos nativos revela:

(A) uma profunda compreensão sobre os hábitos locais;

(B) o interesse econômico sobre as riquezas da terra;

(C) seu estranhamento frente aos costumes dos índios;

(D) sua piedade cristã face aos pecados dos nativos;

(E) uma atitude em defesa da conversão dos índios.

 

 

3- (UFRRJ 2008) – “A produção se destinava fundamentalmente ao consumo da família, mas, ao mesmo tempo, essa família estava obrigada a entregar ao mocambo, como comunidade, um excedente depositado em paiol situado no centro da cidadela. O excedente se destinava ao sustento dos produtores não diretos e aos improdutivos em geral: chefes guerreiros, prestadores de serviço, crianças, velhos, doentes. Produzia-se, ainda, um excedente dedicado a acudir emergências, como secas, pragas, ataques externos.”  FREITAS, Décio. Palmares, a guerra dos escravos. Porto Alegre: Mercado Aberto, 1984, p. 37

A leitura do fragmento acima permite-nos compreender a gênese da organização produtiva de alimentos no Quilombo dos Palmares, que ainda caracteriza diversas comunidades remanescentes de quilombos e que pode ser resumida em produção

(A) comunitária, com arrecadação e administração do uso de excedentes.

(B) comunitária, sem preocupação com a administração de excedentes.

(C) comunitária de baixo rendimento, o que não permitia a produção de excedentes.

(D) em larga escala, de poucos produtos para o comércio em localidades próximas.

(E) de produtos variados por todos os integrantes do quilombo, não havendo preocupação em controlar excedentes.

 

 

4 – (UFRRJ 2006) – Leia o texto e a seguir responda à questão.

 “Não há trabalho, nem gênero de vida no mundo mais parecido à cruz e paixão de Cristo, que o vosso em um desses engenhos. Em um engenho sois imitadores de Cristo crucificado (…) Cristo sem comer, e vós famintos; Cristo em tudo maltratado, e vós maltratadosem tudo. Osferros, as prisões, os açoites, as chagas,

os nomes afrontosos, de tudo isso se compõe a vossa imitação, que se for acompanhada de paciência, também terá merecimento de martírio”. (Vieira, Sermões. Apud BOSI, Alfredo. A Dialética da Colonização. São Paulo: Companhia das Letras, 1992, p.172.)

O texto anterior representa mais uma das inúmeras justificativas para a escravidão durante o período de colonização da América Portuguesa. Sobre esta questão é correto afirmar que

(a) durante o primeiro século de colonização, a escravidão indígena foi empregada em várias regiões da colônia. Porém, com a adoção da mão-de-obra

africana, ela foi completamente extinta, levando os indígenas a se internarem nos sertões do Brasil.

(b) a Companhia de Jesus, assim como outras ordens religiosas, procurava manter índios e negros afastados da sociedade colonial, nas missões, a fim de preservá-los da escravidão.

(c) a utilização da mão-de-obra africana articulava-se diretamente aos interesses mercantilistas de setores da burguesia comercial e da coroa portuguesa.

(d) a capacidade de trabalho do ameríndio superava em muito a do africano, o que levou à sua escravização sistemática até a sua extinção, por volta de meados do século XVII.

(e) a Igreja Católica dedicou-se, nos primeiros tempos da colonização da América, a evitar a escravização dos negros, já que estes, ao contrário dos ameríndios, teriam alma, sendo, por isso, passíveis de conversão.

 

 

5 – (UFMG 2009)  – Considerando-se as reduções, ou missões, jesuítico-guaranis fundadas no início do século XVII, na América do Sul, é INCORRETO afirmar que

A) entraram em conflito com os encomenderos da América Espanhola e com os bandeirantes, que penetravam na região com o objetivo de aprisionar e escravizar os indígenas.

B) resistiram às pressões das Coroas Espanhola e Portuguesa e continuaram a existir até o fim do período colonial, tendo sido destruídas por ocasião dos movimentos de independência.

C) se estabeleceram na região platina, em áreas fronteiriças dos Impérios Espanhol e Português, que correspondem, atualmente, a territórios do Paraguai, do nordeste da Argentina e do sul do Brasil.

D) tinham por objetivo a cristianização dos índios guaranis, que foram concentrados em comunidades aldeãs, administradas pelos jesuítas, sob rígida organização e disciplina de trabalho.

 

 

6 – UFU 2008 – Leia o trecho :  “Até agora não pudemos saber se há ouro ou prata nela, ou outra coisa de metal, ou ferro; nem lha vimos. Contudo a terra em si é de muito bons ares frescos e temperados como os de Entre-Douro-e- Minho, porque neste tempo d’agora assim os achávamos como os de lá. Águas são muitas; infinitas. Em tal maneira é graciosa que, querendoa aproveitar, dar-se-á nela tudo; por causa das águas que tem! Contudo, o melhor fruto que dela se pode tirar parece-me que será salvar esta gente. E esta deve ser a principal semente que Vossa Alteza em ela deve lançar. E que não houvesse mais do que ter Vossa Alteza aqui estapousada para essa navegação de Calicute bastava. Quanto mais, disposição para se nela cumprir e fazer o que Vossa Alteza tanto deseja, a saber, acrescentamento da nossa fé!” CAMINHA, Pero Vaz de. Carta de Pero Vaz de Caminha. In: CHANDEIGNE, Michel (org.). Lisboa ultramarina:1415-1580: a invenção do mundo pelos navegadores portugueses. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1992, p.165.

Com base no fragmento acima, marque para as afirmativas abaixo (V) verdadeira, (F) falsa ou (SO) sem opção.

1 (   ) Caminha sugere que não há potencialidades econômicas na nova terra descoberta, pois não sabe se há nela ouro e prata. Assim, a única justificativa para a posse do território seria a expansão da fé.

2 (   ) Para Caminha, mesmo que a terra não oferecesse outros atrativos econômicos e políticos, utilizá-la como entreposto para o caminho das Índias já seria, em si, algo útil a Portugal.

3 (   ) A carta de Caminha sugere que as grandes riquezas do Brasil são as suas matas e sua beleza natural, de modo que as atividades econômicas extrativas (como, por exemplo, a coleta do pau-brasil) deveriam ser privilegiadas em relação às atividades agrícolas.

4 ( ) A carta de Caminha revela uma ética missionária presente nas falas dos descobridores portugueses, o que, inclusive, atendia às necessidades da coroa de legitimar as novas possessões por meio do seu reconhecimento pela Igreja.

 

 

7 – (UFU 2009)  - Analise o trecho abaixo que descreve um ataque de bandeirantes à redução indígena de Jesus Maria, fundada por jesuítas espanhóis.

 “No dia de São Francisco Xavier (3 de dezembro de 1637), [...] cento e quarenta paulistas com cento e cinqüenta tupis, todos muito bem armados [...] bandeira tendida e ordem militar, entraram pelo povoado [...] acometendo a igreja, disparando seus mosquetes. [...] … determinaram queimar a igreja, onde se acolhera a gente. [...] …os refugiados viram-se obrigados a sair. Abriram um postigo e saindo por ele a modo de ovelhas que sai do curral para o pasto, com espadas, machetes e alfanjes lhes derribavam cabeças, truncavam braços, desjarretavam pernas, atravessavam corpos. [...] Compensará tais horrores a consideração de que por favor dos bandeirantes pertencem agora ao Brasil as terras devastadas?”  CAPISTRANO DE ABREU, J. Capítulos de História Colonial: 1500-1800 & Os Caminhos Antigos e o Povoamento do Brasil.  Brasília: Universidade de Brasília, 1982. p. 116.

A respeito da ação dos bandeirantes e do papel desses bandeirantes na estruturação da Colônia, marque para

1 ( ) O bandeirante paulista foi produto social de uma região em franco processo de desenvolvimento, região essa com uma vida econômica diversificada e que contava com amplos recursos materiais para a produção de riquezas.

2 ( ) Em um contexto de crescente necessidade de mão-de-obra escrava para atender a expansão da economia açucareira do Nordeste, a Coroa portuguesa optou pela organização e pelo financiamento de entradas e bandeiras que objetivavam capturar indígenas e vendê-los como escravos para as lavouras de cana-de-açúcar.

3 ( ) Ao escrever que “por favor dos bandeirantes pertencem agora ao Brasil as terras devastadas”, o autor refere-se ao processo de interiorização da colonização que foi propiciado pelas ações dos bandeirantes, percorrendo o território, fundando povoados e vilas, sem respeitarem os limites definidos pelo Tratado de Tordesilhas.

4 ( ) No trecho citado acima, há uma descrição da violência praticada pelos bandeirantes contra os povos indígenas. Essa descrição presta-se para questionar a construção da figura do herói bandeirante, visto como homem excepcional que desbravou o sertão, alargou as fronteiras e foi Resposta

 

 

8 – (UFU 2009) – No Brasil colonial, a violência permeava o cotidiano da sociedade, marcada pelo escravismo, pelas insatisfações e pelos conflitos de interesses entre a metrópole e os colonos.

Sobre as resistências anticoloniais, marque para as alternativas abaixo (V) Verdadeira, (F) Falsa ou (SO) Sem Opção.

1 ( ) Rebeliões como a Revolta de Beckman, no Maranhão; a Guerra dos Emboabas,em Minas Gerais; a Guerra dos Mascates, em Pernambuco; e a Revolta de Filipe dos Santos,em Minas Gerais, evidenciaram uma consciência nacional dos colonos em luta contra a metrópole.

2 ( ) Os escravos resistiram de diversas formas à opressão a que eram submetidos. O suicídio, a automutilação e a organização coletiva, por meio da fuga das fazendas e da formação de aldeamentos (os quilombos), constituíram formas comuns de resistência.

3 ( ) A Revolta de Beckman e a Guerra dos Mascates foram rebeliões que desafiaram o poder metropolitano, ao exigirem profundas alterações na estrutura socioeconômica da Colônia, entre elas: o fim dos monopólios; a liberdade de comércio; e a integração de toda a população em uma nova sociedade, sem

as marcas da estratificação social.

4 ( ) Os primeiros movimentos coloniais de contestação ao domínio metropolitano foram manifestações contra medidas isoladas que prejudicavam os interesses dos colonos de determinadas regiões, os quais lutavam para que suas reivindicações fossem atendidas, porém sem proporem a independência da colônia.

 

 

9 -(UFU 2009) — Leia o fragmento: Que é que os descobridores do Novo Mundo viram surgir nas praias atlânticas? ‘Homens sem fé, sem lei, sem rei’, nas palavras dos cronistas do século XVI. A causa era evidente: esses homens em estado de natureza não tinham ainda ascendido ao estado de sociedade.  CLASTRES, P. Arqueologia da violência: a guerra nas sociedades  primitivas. In: Guerra, Religião e Poder. Lisboa: Edições 70, 1980.

Tomando o trecho acima como ponto de partida e considerando as formas de relacionamento entre os “conquistadores” e os povos ameríndios no contexto da colonização européia da América entre os séculos XV e XVII, marque para as alternativas abaixo (V) verdadeira, (F) falsa ou (SO) sem opção.

1 (    ) O estereótipo dos índios como homens que viviam sem qualquer autoridade instituída (“fé, lei ou rei”) não foi igualmente aplicado pelos europeus a todas as civilizações pré-colombianas. Os Astecas, por exemplo, eram vistos como um grande Império.

2 (   ) A idolatria, como forma de “falsa” religião, foi atribuída pelos europeus ao conjunto dos índios da América, especialmente aos Guaranis, que cultuavam o Deus Sol (Tupã), representado sob a forma de um asno de ouro.

3 (    ) Como os indígenas da América não tinham leis, rei ou religião, a Igreja postulou que eles não eram homens e que não tinham alma, legitimando, assim, sua escravização pelos europeus e o genocídio que marcou os processos de conquista.

4 (    ) Devido ao fato de índios da América não terem Estado, religião e noção de “propriedade privada”, eles viviam pacificamente entre si. Porém, com a chegada dos europeus na América, esses povos tornaram-se guerreiros.

 

 

10 – (Puc-RIO 2009)  –  Sobre as características da sociedade escravista colonial da América portuguesa estão corretas as afirmações abaixo, À EXCEÇÃO de uma. Indique-a.

(A) O início do processo de colonização na América portuguesa foi marcado pela utilização dos índios – denominados “negros da terra” - como mão-de-obra.

(B) Na América portuguesa, ocorreu o predomínio da utilização da mão-de-obra escrava africana seja em áreas ligadas à agro-exportação, como o nordeste açucareiro a partir do final do século XVI, seja na região mineradora a partir do século XVIII.

(C) A partir do século XVI, com a introdução da mão-de-obra escrava africana, a escravidão indígena acabou por completo em todas as regiões da América portuguesa.

(D) Em algumas regiões da América portuguesa, os senhores permitiram que alguns de seus escravos pudessem realizar uma lavoura de subsistência dentro dos latifúndios agroexportadores, o que os historiadores denominam de “brecha camponesa”.

(E) Nas cidades coloniais da América portuguesa, escravos e escravas trabalharam vendendo mercadorias como doces, legumes e frutas, sendo conhecidos como “escravos de ganho”.

 

 

11 – (UFU – 2006)

O mapa abaixo apresenta uma série de imagens representativas de uma prática que os europeus associavam aos povos indígenas do Brasil nos séculos XVI e XVII.

 Detalhe do mapa: America sive quartae orbis partis nova etexactissima descriptio, de Diego Gutiérrez, 1562.

Sobre esta prática, é correto afirmar que ela está relacionada,

I – aos sacrifícios humanos, pois segundo os portugueses e os espanhóis, os índios do Brasil eram idólatras e ofereciam esse tipo de sacrifício aos seus deuses (vistos, pelos cristãos, como demônios);

II – ao canibalismo, introduzido no Brasil após a cristianização dos índios, como resultado da incompreensão indígena a respeito dos sentidos corretos da eucaristia;

III – à ingestão de carne humana, que, segundo alguns autores, pode ser explicada como um ritual de vingança contra tribos rivais e inimigos de guerra;

IV – à antropofagia, cujas evidências de ter realmente existido são controversas e próprias de um imaginário europeu detrator das práticas culturais indígenas,entendidas, em muitos casos, como diabólicas e bestiais.

Assinale a alternativa que apresenta somente afirmações corretas.

A) II e IV                       B) I e III                    C) III e IV                  D) I e

 

12 – (UFMG) Leia estes trechos de documentos:
I. E logo os ditos procuradores dos ditos senhores reis e rainha de Castela, de Leão, de Aragão, de Sicília, de Granada [...] e do dito senhor rei de Portugal e Algarves [...] disseram: que visto como entre os ditos senhores seus constituintes há certa divergência sobre o que a cada uma das ditas partes pertence do que até hoje [...] está por descobrir no Mar Oceano.
 II. Irá diretamente à Bahia, e logo que chegue, deve apossar-se da cerca ou fortificação que havia feito o donatário Francisco Pereira Coutinho [...]
Todavia, como consta que esse local não é dos mais apropriados, o estabelecimento que fizer nele será de natureza provisória e deve escolher outro mais pela baía dentro [...] com que pelo tempo adiante venha a povoação a ser a cabeça de todas as capitanias.
III. O modo que os Padres da Companhia tiveram sempre [...] foi ajudá-los assim no temporal como no espiritual [...] Ensinavam-lhes os Padres todos os dias pela manhã a doutrina, esta geral, e lhes dizem missa para os que a quiserem ouvir antes de irem para suas roças; depois disto ficam os meninos na escola, onde aprendem a ler e escrever, contar e outros bons costumes pertencentes à política cristã.
IV. E de modo como se avier com [eles] depende o tê-los bons ou maus para o serviço. Por isso é necessário comprar cada ano algumas peças, e reparti-las pelos partidos, roças, serrarias e barcas. E porque, comumente são de nações  diversas, e uns mais boçais que outros, e de figuras muito diferentes, há de fazer-se repartição com reparo e escolha, e não às cegas.

Nos trechos I, II, III e IV, faz-se referência, respectivamente,
A) ao Tratado de Tordesilhas; ao estabelecimento do Governo Geral; à catequese do gentio; à escravidão negra.
B) à expansão ultramarina portuguesa quatrocentista; à fundação da França Antártica; aos fundamentos cristãos dos colégios da América Portuguesa; à diversidade econômica do Brasil colonial.
C) à separação do Condado Portucalense de Castela; à divisão da América Portuguesa em capitanias hereditárias; às escolas coloniais de primeiras letras; ao apresamento de índios tapuias.
D) ao financiamento da frota de Colombo; à transferência da sede da América Portuguesa para o Rio de Janeiro; à cristianização dos negros; às reduções jesuíticas.

 

13 – (ENEM 2003) – O mapa abaixo apresenta parte do contorno da América do Sul destacando a bacia amazônica. Os pontos assinalados representam fortificações militares instaladas no século XVIII pelos portugueses. A linha indica o Tratado de Tordesilhas revogado pelo Tratado de Madri, apenas em 1750.

Adaptado de Carlos de Meira Mattos. Geopolítica e teoria de fronteiras.

Pode-se afirmar que a construção dos fortes pelos portugueses visava, principalmente, dominar

(A) militarmente a bacia hidrográfica do Amazonas.

(B) economicamente as grandes rotas comerciais.

(C) as fronteiras entre nações indígenas.

(D) o escoamento da produção agrícola.

(E) o potencial de pesca da região.

 

 

14 – (ENEM _ 2001)  – Rui Guerra e Chico Buarque de Holanda escreveram uma peça para teatro chamada Calabar,pondo em dúvida a reputação de traidor que foi atribuída a Calabar, pernambucano que ajudou decisivamente os holandeses na invasão do Nordeste brasileiro, em 1632.

- Calabar traiu o Brasil que ainda não existia? Traiu Portugal, nação que explorava a colônia onde Calabar havia nascido? Calabar, mulato em uma sociedade escravista e discriminatória, traiu a elite branca?

Os textos referem-se também a esta personagem.

 

Texto I: “…dos males que causou à Pátria, a História, a inflexível História, lhe chamará infiel,desertor e traidor, por todos os séculos”

Visconde de Porto Seguro, in: SOUZA JÚNIOR, A. Do Recôncavo aos Guararapes. Rio de Janeiro: Bibliex, 1949.

Texto II: “Sertanista experimentado, em 1627 procurava as minas de Belchior Dias com agente da Casa da Torre; ajudara Matias de Albuquerque na defesa do Arraial, onde fora ferido, e desertara em conseqüência de vários crimes praticados…” (os crimes referidos são ode contrabando e roubo).CALMON, P. História do Brasil. Rio de Janeiro: José Olympio, 1959.

Pode-se afirmar que:

 (A) A peça e os textos abordam a temática de maneira parcial e chegam às mesmas conclusões.

(B) A peça e o texto I refletem uma postura tolerante com relação à suposta traição de Calabar, e o texto II mostra uma posição contrária à atitude de Calabar.

(C) Os textos I e II mostram uma postura contrária à atitude de Calabar, e a peça demonstra uma posição indiferente em relação ao seu suposto ato de traição.

(D) A peça e o texto II são neutros com relação à suposta traição de Calabar, ao contrário do texto I, que condena a atitude de Calabar.

(E) A peça questiona a validade da reputação de traidor que o texto I atribui a Calabar, enquanto o texto II descreve ações positivas e negativas dessa personagem.

15 – (UFMG  2006) — Em pouco mais de cem anos, a ênfase passa do controle dos moradores para o dos escravos fugidos, do olhar metropolitano ao colonial, e uma figura central emerge: a do capitão-do-mato [...]. O termo capitão-do-mato já aparece em diversos documentos coloniais desde meados do século XVII [Contudo o cargo foi normatizado apenas no início do século XVIII.] Que terá acontecido no período que vai de meados do século XVII às primeiras décadas do século XVIII para que essa ocupação se estabelecesse tão firmemente na vida colonial?

REIS, João José; GOMES, Flávio dos Santos (Orgs.). Liberdade por um fio. São Paulo: Companhia das Letras, 1996. p.85.

Considerando-se as informações desse texto, é CORRETO afirmar que o crescente fortalecimento do cargo de capitão-do-mato, entre meados do século XVII e início do século XVIII, se explica como conseqüência da

A) interiorização da população em direção à área das drogas do sertão, o que resulta numa ocupação desordenada desses espaços produtivos por brancos e negros.

B) explosão demográfica ocorrida na região das minas dos Goiases e de Cuiabá, que implica um adensamento populacional propício às desordens e violência, sobretudo as praticadas por escravos fugidos.

C) urbanização do Nordeste, derivada da crise açucareira, gerada pela expulsão dos holandeses, crise que promove, nas vilas e arraiais, a concentração de escravos, que, até então, trabalhavam nos engenhos.

D) dificuldade das campanhas para a destruição do quilombo de Palmares e a possibilidade do surgimento de novos e resistentes núcleos de quilombolas tanto no Nordeste quanto em outras áreas de interesse metropolitano.

16 – (?)“Se uma pessoa chega na terra a alcançar dois pares de escravos, ou meia dúzia deles, ainda que outra coisa não tenha de seu, logo tem remédio para poder honradamente sustentar a sua família. Porque um lhe pesca e outro lhe caça, e os outros lhe cultivam e granjeiam suas roças, e desta maneira nem fazem os homens despesas em mantimentos com os seus escravos, nem com suas pessoas …”

GANDAVO, Magalhães. Apud NADAI, Elza; NEVES, Joana. História do Brasil. São Paulo: Saraiva, 1996. p. 62.

Assinale a(s) proposiçãoCORRETA, com base no texto e nas circunstâncias em que foi escrito.

A) O autor justifica a escravidão, como uma necessidade econômica, mas adverte que não é moralmente aceitável entre os homens honrados da colônia.

b) No texto caracteriza-se a relação típica da escravidão. Uma pessoa (escravo) é considerada propriedade do seu dono, para quem terá de trabalhar e produzir o seu sustento.

c) Segundo o texto só uns poucos homens livres poderiam ter escravos, uma vez que a sua manutenção era extremamente dispendiosa.

d) O autor demonstra grande preocupação com o destino do escravo. Defende que, devido aos méritos do seu trabalho, deve ser alforriado.

e) A escravidão no Brasil, apesar da violência, teve pouca duração. Os primeiros escravos foram importados como mão-de-obra para a extração do pau-brasil, mas já no início do século XVIII as idéias iluministas influenciaram o governo a libertar os escravos.

17 – (??) “No ano de 1649 partiram os moradores de São Paulo para o sertão, em demanda de uma nação de índios distante daquela capitania muitas léguas pela terra adentro, com a intenção de os arrancarem de suas terras e os trazerem às de São Paulo e aí se servirem deles como costumam. Após meses de viagem, encontraram uma aldeia de índios da doutrina dos padres da Companhia, pertencentes à Província do Paraguai. Todos estavam na igreja, e o padre rezava missa, quando entraram os soldados de mão armada na aldeia, e  dentro da mesma igreja prenderam todos os índios e índias que não puderam escapar”. Carta do Pe. Antônio Vieira, ao Provincial dos Jesuítas, escrita do Maranhão em 1653.

Fundamentado(a) no fragmento da correspondência do Pe. Antônio Vieira e nos seus conhecimentos da História do Brasil Colonial, leia com atenção as afirmativas abaixo.

I –  Foram freqüentes os ataques dos Bandeirantes às Reduções Jesuíticas, durante o século XVII, com o objetivo de apresamento de índios a serem utilizados como escravos.

II -  A  escravização  de  índios e negros africanos  era uma exigência da Santa Sé para facilitar a sua evangelização.

III -  Durante  o  período  histórico  conhecido como Brasil Colônia, os jesuítas justificavam  a escravização dos negros, mas condenavam a escravização dos índios aldeados.

IV – Os Bandeirantes agiam por ordem dos Reis de Portugal, que desejavam enfraquecer o poderio militar dos espanhóis apoiados pelos índios do Paraguai.

Assinale :

a) se estão corretas apenas as afirmativas I e II

b) se estão corretas apenas as afirmativas II e III.

 c) se estão corretas apenas as afirmativas I, II e III.

d) se estão corretas apenas as afirmativas  I, II e IV

e) se estão corretas apenas as afirmativas  II e IV

18 – UFGO 2004 — O conde de Sabugosa, vice-rei entre 1720 e 1735, apoiou a comunidade de negociantes baianos em seus esforços em preservar o monopólio do tráfico negreiro com a África em oposição aos interesses dos comerciantes de Lisboa, que tinham o apoio de D. João V. [...] Em 1734 houve um protesto contra o monopólio do sal e contra os preços exorbitantes, o juiz de fora de Santos liderou um ataque contra o depósito de sal, colocando o produto à venda com preço reduzido.

RUSSEL-WOOD, John. Centro e periferia no mundo brasileiro, 1500-1508.Revista Brasileira de História. São Paulo: Anpuh/Humanitas, 18:36 (1988)232-233.

Os relatos indicam a especificidade da relação colonial na América portuguesa. Da leitura dos relatos conclui-se que

o sistema colonial português na América baseava-se na relação de respeito, entre as partes, derivada do pacto colonial.

a especificidade do sistema colonial português na América vinculava-se à subordinação política e econômica da colônia à metrópole.

a transgressão do princípio da autoridade absoluta do Rei efetivou-se nos atos praticados pelos representantes da Coroa e pela população administrada.

a organicidade do sistema colonial estava assegurada pelas formas de domínio político-administrativo da metrópole.

a rigidez do domínio metropolitano impediu o atendimento às demandas políticas e econômicas da população colonial.

 

 

19 – (UFU 2006) —  Ainda que tenham sofrido transformações no decorrer do tempo, até hoje, em diversas partes do Brasil, várias festas tradicionais, introduzidas desde o tempo da colônia, fazem parte do repertório da cultura popular.

A respeito de algumas dessas festas, assinale a alternativa INCORRETA.

 

A) As cavalhadas foram introduzidas no Brasil pelos portugueses no século XVI.Elas tratam, basicamente, de representações do confronto bélico entre mouros e católicos na península ibérica, ocorrido no final da Idade Média.

B) A folia de reis é uma festa originalmente religiosa que celebra a visita dos três reis magos ao menino Jesus. Sua introdução no Brasil deu-se no período colonial, recebendo influências de culturas não cristãs.

C) O carnaval é, por excelência, uma festa profana, que se introduziu no Brasil colonial sob a condenação da Igreja Católica, por meio da fusão de batuques africanos com ritos pagãos (celtas e romanos) que se preservavam na cultura oral portuguesa.

D) As congadas originaram-se no interior de Irmandades Católicas de escravos no período colonial, representando a coroação da família real congo, a partir de uma tradição africana anterior à cristianização dos negros.

20 – (UFGO 2007) – Leia o “Sermão da Sexagésima”, do Padre Vieira.

“ Para uma alma se converter por meio de um sermão, há de haver três concursos: há de concorrer o pregador com a doutrina, persuadindo; há de concorrer o ouvinte com o entendimento, percebendo; há de concorrer Deus com a graça, alumiando. Que coisa é a conversão de uma alma, senão entrar um homem dentro em si e ver-se a si mesmo.   GOMES, Eugênio (Org.). Vieira: Sermões. Rio de Janeiro: Agir, 1992. p.120. [Adaptado].

 

O jesuíta Antônio Vieira fez sua carreira eclesiástica na Bahia. Esse sermão foi proferido em Lisboa no ano de 1655. Considerando os conflitos vividos na Colônia, o debate sobre a conversão se vinculava à

 (A) capacidade do ouvinte para interpretar livremente as escrituras e, por meio do entendimento, concorrer à conversão de sua alma.

(B) defesa da cristianização do gentio, persuadindo o colono de que a prática da escravidão indígena deveria ser evitada.

(C) garantia da liberdade indígena, pois convertidos ao cristianismo seriam reconhecidos como portadores de direitos.

(D) supremacia da autoridade da Igreja perante o Estado na condução dos negócios na Colônia, definindo a primazia da ordem jesuítica.

(E) condenação a todas as formas de escravidão no mundo colonial, por meio da formação de uma consciência de si.

21 – (UFU 2006) – Por volta da década de 1570, começou-se a substituir a mão-de-obra escrava indígena pela mão-de-obra escrava africana nos engenhos e plantações de cana-de-açúcar no Brasil. Aproximadamente em 1585, cerca de 75% da população escrava africana do Brasil vivia na Capitania de Pernambuco, onde o número de engenhos contabilizava mais da metade do total dos engenhos da colônia. A Capitania de São Vicente por sua vez, em 1685, quase não possuía habitantes de origem africana e o número de engenhos não passava de 3% do total da Colônia, situação bem diferente da do ano de 1549, quando cerca de 30% dos engenhos de açúcar localizavam-se naquela capitania.(adaptado de: COUTO, Jorge. A construção do Brasil: ameríndios, portugueses e africanos, do início do povoamento a finais de Quinhentos. Lisboa:Cosmos, 1995)

A respeito da escravidão africana no Brasil, com base nas informações acima, assinale a alternativa INCORRETA.

a mão-de-obra africana foi incentivada em um momento em que se intensificavam as rebeliões, fugas e ataques indígenas contra engenhos e povoações  portuguesas no litoral brasileiro.

a adoção da mão-de-obra africana foi um fator decisivo para o desenvolvimento das economias das capitanias do norte da colônia e colaborou para a diminuição da importância econômica das capitanias do sul em relação às do norte.

adoção da mão-de-obra africana teve sucesso, pois atendia às necessidades lusas de imposição de um controle social mais eficaz e de fomento de uma nova atividade comercial lucrativa: o trafico negreiro.

a mão-de-obra escrava indígena, por conta do adestramento praticado pelos jesuítas e de sua passividade em relação à escravidão, era mais produtiva que a africana. Porém, foi substituída por essa em função da lucratividade do tráfico negreiro. 

 

 

QUESTÕES DISCURSIVAS…

OBS.: AS RESPOSTAS SÃO OFICIAIS, DIVULGADAS PELAS UNIVERSIDADES. AS QUESTÕES SEM RESPOSTAS FORAM AQUELAS ONDE NÃO HOUVE POSSIBILIDADE DE OBTER O GABARITO OFICIAL)

 

22 – UFRJ – 2001 “Os livros dos descobridores deste outro hemisfério dão-nos a conhecer suficientemente o que é este Brasil, em que paralelo está situado, de que maneira os brasilianos, tupinambás e tapuias, os povos desse país, se guerreavam antigamente e devoravam os vencidos; como os portugueses, subjugando estes miseráveis, se fizeram assinalar por horríveis efusões de sangue; como, também os franceses, tendo-se tornado senhores de uma parte do país por meio de sangrentas expedições, os portugueses lha fizeram abandonar com a vida [...]. Posteriormente, os Estados Gerais dos Países Baixos aí levaram as suas armas e conquistaram a melhor parte, não tendo sido poupadas as devastações e saques, companheiros da guerra.”

Fonte: Moreau, Pierre. História das últimas lutas no Brasil entre holandeses e portugueses. Belo Horizonte:Itatiaia; São Paulo: Edusp, 1979, pp. 17-18.

A descrição acima foi escrita por Pierre Moreau, sobre quem se conhece pouco além do fato de ter vivido no Brasil em meados da década de 1640. Dentre outras coisas, o trecho mostra que não raro os países europeus questionavam os termos em que o Tratado de Tordesilhas dividira a América.

a) Identifique no texto dois exemplos concretos deste questionamento;

b) A partir de seus conhecimentos, estabeleça três diferenças observadas entre os exemplos citados no item anterior.

 

23 – UFRJ – 2002     Sexo e idade dos escravos africanos importados para o Rio de Janeiro, 1838-1852

 

Idades

Número de Homens

Número de Mulheres

Total

De0 a9 anos

17

12

29

de10 a19 anos

194

68

262

de20 a29 anos

102

16

118

30 ou mais anos

13

12

25

Total

326

108

434

Fonte: Karasch, Mary C. A vida dos escravos no Rio de Janeiro, 1808-1850. São Paulo:Companhia das Letras, 2000, p. 69.

 

A tabela acima foi construída através de registros relativos a alguns navios negreiros capturados depois de 1830,e constitui uma eloqüente amostra de certas características demográficas dos mais de três milhões e meio de africanos desembarcados no Brasil entre os séculos XVI e XIX. Seus dados permitem visualizar o perfil sexo-etário do trabalhador que os grandes plantadores escravistas almejavam.

a) Identifique duas características relacionadas a este perfil sexo-etário;

 

b) Relacione as características identificadas no item anterior às expectativas econômicas dos grandes plantadores escravistas do Brasil.

 

 

24 – UFRJ — 2002             Movimento da alfândega da cidade de São Paulo de Assunção de Luanda

                                             no período de1785 a1794 (em réis)

Regiões

Importações

Valores

Área A: Portugal e outras regiões européias

Tecidos e gêneros agrícolas e industriais

2:187:975$370

Área B: Brasil e Índia

Tecidos, gêneros agrícolas e demais produtos

2:680:897$560

Total

 

4:868:872$930

Fonte: Adaptado de SANTOS, Corcino. O Rio de Janeiro e a conjuntura atlântica. Rio de Janeiro, Expressão e Cultura, 1993, p. 156.

            A tabela acima reproduz o movimento de importações da alfândega de Luanda em fins do século XVIII. Indicam-se aqui as fontes provedoras de mercadorias que serviam à aquisição sobretudo de escravos, mas também de cera e marfim nesta parte do império português.

É comum afirmar-se que o comércio colonial lusitano tinha por objetivo principal o enriquecimento da metrópole e, por meio dela, do restante da Europa em transição para o chamado capitalismo industrial. Daí derivam, dentre outras idéias, a da fragilidade dos circuitos mercantis que uniam as diferentes partes do império português.

Identifique a área mencionada na tabela que se constituía na principal parceira comercial de Luanda no período considerado;

 

Explique como a resposta dada ao item anterior pode questionar a noção de “Antigo Sistema Colonial”.  

25 – UERJ –

a)  Cite duas características da sociedade colonial da América portuguesa

 

b)Estabeleça uma diferença quanto à participação política dos “chapetones” e “criollos” nas colônias espanholas na América

 

 

26 – UFRJ   Confissão de Fernão Ribeiro, índio do Brasil, em 12 de agosto de 1591:

“Por querer confessar sua culpa, ser do gentio desta Bahia, e não saber a língua portuguesa, esteve presente o padre Francisco de Lemos, religioso da Companhia de Jesus, como intérprete.

(…)

E confessando-se, contou que há dois anos disse-lhe um outro gentio, de nome Simão, que os cristãos que comungam (…) são os homens mais virtuosos. Então ele, confessante, respondeu ao dito Simão que naquele Sacramento de comunhão estava a morte, e que quem comungava recebia a morte [muitos índios associavam este sacramento à morte porque, por vezes, ele era ministrado a moribundos]. Depois de o ter dito ficou muito arrependido e lhe pesou muito o Diabo lhe fazer dizer tão ruim palavra. Contou ainda que, sabendo do ocorrido, o padre superior de sua aldeia, João Alvares, da Companhia de Jesus, que tem cuidado de os doutrinar e instruir na fé, o prendeu e penitenciou na igreja, fazendo-o pedir perdão a todos e aplicando-lhe castigos, ao que ele, confessante, satisfez (…).”

(Adaptado de Vainfas, Ronaldo (org.) Confissões da Bahia. São Paulo:Companhia das Letras, 1997. P. 81-2)

O texto acima registra uma das inúmeras confissões que, entre julho de 1591 e fevereiro de 1592, os moradores da cidade de Salvador e do Recôncavo Baiano prestaram à Visitação do Santo Ofício da Inquisição de Lisboa.

 

Destaque duas características do papel da Igreja Católica no processo de colonização da América.

27 – UFRJadaptada “…se é de globo mundo que se trata e de império e rendimentos que impérios dão, faz o infante D. Henrique fraca figura comparado com este D. João, quinto já se sabe de seu nome na tabela dos reis, sentado numa cadeira de braços de pau-santo, para mais comodamente estar e assim com outro sossego atender ao guarda-livros que vai escriturando no rol os bens e as riquezas, de Macau as sedas, os estofos, as porcelanas, os lacados, o chá, a pimenta, o cobre, o âmbar cinzento, o ouro,de Goa os diamantes brutos, os rubis, as pérolas, acanela, mais pimenta, os panos de algodão, o salitre, de Diu os tapetes, os móveis tauxiados, as colchas bordadas, de Melinde o marfim, de Moçambique os negros, o ouro, de Angola outros negros, mas estes menos bons, o marfim, que esse,sim, é o melhor do lado ocidental da África, de São Tomé a madeira, a farinha de mandioca, as bananas,os inhames, as galinhas, os carneiros, os cabritos, o índigo, o açúcar, de Cabo Verde alguns negros, a cera, o marfim, os couros, ficando explicado que nem todo o marfim é de elefante, dos Açores e Madeira os panos, o trigo, os licores, os vinhos

secos, as aguardentes, as cascas de limão cristalizadas,os frutos, e dos lugares que hão de vir a ser Brasil o açúcar, o tabaco, o copal, o índigo, a madeira, os couros, o algodão, o cacau, os diamantes,as esmeraldas, a prata, o ouro, que só deste vem ao reino, ano por ano, o valor de doze a quinze milhões de cruzados, em pó e amoedado, fora o resto, e fora também o que vai ao fundo ou levam os piratas…”

 (Saramago, José. Memorial do convento. Rio de Janeiro:Bertrand Brasil, 1994, p.227-8)

O trecho acima remete à formação e expansão dos impérios coloniais entre os séculos XV e XVIII. O Mercantilismo era dos pincipais pilares dos Estados Nacionais europeus dessa época.

a) Identifique quatro características do mercantilismo.

b) identifique as áreas do Império colonial português citadas no texto.

28 – UFRJ – 2003 “Os índios Wainasses, depois de terem perdido muitíssimos homens em combates com os adversários tamoios, chamaram os portugueses em seu auxílio. Em conseqüência, meu amo, governador da cidade, mandou o filho Martim de Sá a socorrê-los com setecentos portugueses e dois mil índios (…). Veio ter conosco um selvagem de nome Alécio, o qual trouxe consigo oitenta flecheiros, e ofereceu-se para acompanhar o capitão Martim de Sá com os seus (…). Na seguinte noite, vendo o capitão que Alécio estava deitado no chão, tomou-me a rede em que eu tencionava dormir, e deu-a ao canibal, de modo que tive de resignar-me a pernoitar no chão.”

Adaptado de KNIVET, Anthony. “Notável viagem que, no ano de 1591 e seguintes, fez Antônio Knivet, da Inglaterra ao mar do sul, em companhia de Thomas Candish”, in: Revista do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, t. 56, vol. 48, 1878, pp. 224 – 226.

O relato acima foi escrito por um corsário inglês aprisionado e escravizado por Salvador Correia de Sá, governador do Rio de Janeiro em fins do século XVI. Mesmo escravizado, Knivet não se conformava em receber um tratamento pior do que o oferecido ao “canibal”. Este texto põe em dúvida as análises que reduzem as relações entre os portugueses e os índios ao genocídio e à escravização.

1Explique um aspecto presente nas relações entre colonos e populações indígenas que, para além do genocídio e da escravização, tenha caracterizado o processo de formação da sociedade colonial.

 

2Explique como a concepção predominante entre as populações indígenas acerca da guerra contribuiu para a montagem da sociedade colonial no século XVI.

29 – UFRJ 1998 -“O Reino de Portugal, enquanto reino e enquanto monarquia está obrigado, não só de caridade, mas de justiça, a procurar efetivamente a conversão e salvação dos gentios … Tem esta obrigação Portugal enquanto reino, porque este foi o fim particular para que Cristo o fundou e instituiu, como consta da mesma instituição. E tem esta obrigação enquanto monarquia, porque este foi o intento e contrato com que os Sumos Pontífices lhe concederam o direito das conquistas, como consta de tantas bulas apostólicas “

( … )

Não só são apóstolos os missionários, senão também os soldados e capitães, porque todos vão buscar gentios e trazê-los ao lume da fé e ao grêmio da Igreja? Sim, porque muitas vezes é necessário que os soldados com suas armas abram e franqueiam a porta, para que por esta porta aberta e franqueada se comunique o sangue da Redenção e a água do Batismo “. ( Antônio Vieira. Sermões V e VII )

Os jesuítas exerceram um papel importante na difusão do catolicismo no mundo colonial português. No Brasil, um missionário que se destacou foi o Padre Antônio Vieira, autor de Os Sermões.

 

A) Transcreva do documento apresentado a justificativa de Antônio Vieira para a função desempenhada pelo Estado português na colonização das terras conquistadas.

 

b) Relacione a catequização efetuada pela Companhia de Jesus no Brasil ao contexto de crise política e religiosa da Igreja Católica.

 

 

c) Apresente duas implicações da colonização portuguesa para as sociedades indígenas do Brasil.

30 – UFF2007 — Nos últimos anos, historiadores latino-americanos têm procurado discutir um dos mais arraigados mitos sobre alguns países do continente: a pouca importância da etnia negra na formação da sociedade e da cultura destes países. Para deslegitimar tal mito, os pesquisadores têm ressaltado a importância da escravidão nos quadros da formação da sociedade latino-americana.

Com base nesta afirmativa:

a) indique a política econômica desenvolvida pelos países ibéricos no contexto da expansão européia do século XVI;

 

b) analise a presença de comerciantes portugueses nos territórios coloniais espanhóis em relação à mão de obra nos séculos XVI e XVII.

Cap.7

1 – (UFRRJ 2006) –“Prossigo: mil vozes servem de arauto para a novidade… ‘A Bastilha foi tomada’ …. Não acreditei e fui ver o cerco de perto …. No meio da Grève encontro um corpo sem cabeça estendido no meio do riacho, rodeado por cinco ou seis indiferentes. Faço perguntas … É o governador da Bastilha.” São Paulo: Estação Liberdade,1989, p. 58).

O episódio acima narrado marca o início de um dos momentos políticos mais importantes da história européia, a Revolução Francesa. A tomada e destruição da fortaleza da Bastilha explicita

(a) o momento de maior radicalidade da Revolução, quando as camadas populares rompem com a liderança burguesa e assumem o poder em Paris.

(b) a derrubada de Luis XVI e a proclamação da República francesa baseada na Razão e na Justiça, sob influência do pensamento de Voltaire.

(c) a consolidação do poder do grupo jacobino, tendo à frente Robespierre, sustentado pela mobilização radicalizada dos “sans-culottes”

(d) a chegada ao poder político do general Napoleão Bonaparte, que, como primeiro cônsul, será fundamental na consolidação do novo poder.

(e) o levante popular sob direção burguesa contra um dos maiores símbolos da opressão política do Absolutismo.

 

 

2 – (UFRRJ 2008) –  “[...] A Revolução Francesa dominou a história, a própria linguagem e o simbolismo da política ocidental desde sua irrupção até o período que se seguiu à Primeira Guerra Mundial.” HOBSBAWN, Eric J. A era das revoluções: 1789 – 1848. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 10.ª edição, 1997.

Leia as sentenças abaixo.

I – Os processos de independência da América Latina sofreram forte influência da Revolução Francesa, destacando-se as críticas ao Antigo Regime e

especialmente ao mercantilismo.

II – O primeiro país da América a tornar-se independente, os Estados Unidos, também se inspirou, em 1776, nos ideais da Revolução Francesa para romper com a metrópole inglesa.

III – No Haiti, os escravos da mais próspera colônia francesa da América lideraram, sob inspiração dos ideais da Revolução, o processo de independência, que se concretizou em 1804.

IV – Os ideais revolucionários de liberdade, igualdade e fraternidade, mesmo tendo sido plenamente alcançados à época da Revolução, se perderam com o tempo e voltam a ser bandeira de muitos movimentos sociais atualmente.

Marque a alternativa que contenha as assertivas que ajudam a compreender as repercussões da Revolução Francesa.

(A) I e II.

(B) I e IV.

(C) I e III.

(D) II e IV.

(E) II e III.

 

 

3 – (UFRRJ 2008) –  “[...] A Revolução Francesa dominou a história, a própria linguagem e o simbolismo da política ocidental desde sua irrupção até o período que se seguiu à Primeira Guerra Mundial.” HOBSBAWN, Eric J. A era das revoluções: 1789 – 1848. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 10.ª edição, 1997.

Leia as sentenças abaixo.

I – Os processos de independência da América Latina sofreram forte influência da Revolução Francesa, destacando-se as críticas ao Antigo Regime e

especialmente ao mercantilismo.

II – O primeiro país da América a tornar-se independente, os Estados Unidos, também se inspirou, em 1776, nos ideais da Revolução Francesa para romper com a metrópole inglesa.

III – No Haiti, os escravos da mais próspera colônia francesa da América lideraram, sob inspiração dos ideais da Revolução, o processo de independência, que se concretizou em 1804.

IV – Os ideais revolucionários de liberdade, igualdade e fraternidade, mesmo tendo sido plenamente alcançados à época da Revolução, se perderam com o tempo e voltam a ser bandeira de muitos movimentos sociais atualmente.

Marque a alternativa que contenha as assertivas que ajudam a compreender as repercussões da Revolução Francesa.

(A) I e II.

(B) I e IV.

(C) I e III.

(D) II e IV.

(E) II e III.

 

 

4 – (UFU -2006)O fim maior e principal para os homens unirem-se em sociedades políticas e submeterem-se a um governo é a conservação de suas propriedades, ou seja, de suas vidas, liberdades e bens. Adaptado de LOCKE, John. Dois Tratados sobre o Governo. São Paulo: Martins Fontes, 1998, p.495.

A autoproteção constitui a única finalidade pela qual se garante à humanidade, individual ou coletivamente, interferir na liberdade de ação de qualquer um. O único propósito de se exercer legitimamente o poder sobre qualquer membro de uma comunidade civilizada, contra sua vontade, é evitar dano aos demais.  Adaptado de MILL, J.Stuart. A Liberdade. São Paulo:Martins Fontes, 2000, p.17.

Os trechos acima se referem aos fundamentos do pensamento liberal. Sobre esse tema, assinale a alternativa que apresenta a explicação INCORRETA.

A) Em defesa da razão e da liberdade, vários pensadores europeus inspiraram uma série de transformações sociais, econômicas e políticas, principalmente a partir do século XVIII, cujas conseqüências estão presentes até hoje na sociedade contemporânea.

B) As bases filosóficas e políticas da sociedade civil e do Estado liberal moderno formaram-se, primeiramente, na Inglaterra no século XVII, tendo como um de seus principais idealizadores John Locke.

C) A defesa da liberdade e da propriedade como direitos legítimos do indivíduo foi importante na formação do ideário liberal, comum a dois importantes movimentos político-sociais europeus nos séculos XVII e XVIII: a Revolução Gloriosa na Inglaterra e a Revolução Francesa.

D) Os princípios do liberalismo, defendidos por Locke e Stuart Mill, excluem os direitos do indivíduo na sociedade ao justificarem a adoção de punições em função de ameaças à liberdade e à propriedade.

5 -  (CESGRANRIO) – A Revolução Francesa representou um marco da Historia ocidental pelo caráter de ruptura em  relação ao antigo Regime.

Dentre as características da crise do Antigo Regime, na França, está:

A) a crescente mobilização do Terceiro Estado, liderado pela burguesia contra os privilégios do clero e da nobreza.

B) o desequilíbrio econômico da França, decorrente da Revolução Industrial.

C) a retomada da expansão comercial francesa, liderada por Colbert.

D) o apoio da monarquia dos  Bourbons, após a participação vitoriosa na guerra de independência dos EUA.      

6 – (UFU -2006) –“Enriquecendo os cidadãos ingleses, o comércio contribuiu para torná-los mais livres, e, por sua vez, a liberdade ampliou o comércio. A grandeza do Estado veio como conseqüência. O comércio estabeleceu pouco a pouco as forças navais, tornando os ingleses senhores dos mares”.  VOLTAIRE. “Sobre o comércio”. In: Cartas Inglesas (1734), São Paulo: Abril Cultural, 1984. p. 16.

Considerando o trecho acima e o contexto em que foi escrito, assinale a alternativa correta.

A) Para Voltaire, o sucesso militar dos ingleses é associado à adoção de um sistema político “livre”, no qual os cidadãos (representados pelo Parlamento) interessam-se pelo incremento das atividades comerciais da burguesia.

B) Voltaire vê a Inglaterra como um Estado tipicamente absolutista, que precisou fortalecer-se militarmente de modo a sufocar os anseios da burguesia comercial por participação política e pela liberdade.

C) Para Voltaire, o comércio tornou os cidadãos ingleses livres por causa da grandeza do Estado, que favoreceu o comércio, ainda que às custas da restrição da liberdade da burguesia.

D) Por conta de suas idéias contrárias ao “Estado de guerra” inglês, Voltaire pode ser considerado um precursor da Revolução Francesa e do Jacobinismo.   

 

7 – ENEM -1999 — A Revolução Industrial ocorrida no final do século XVIII transformou as relações do homem com o trabalho. As máquinas mudaram as formas de trabalhar, e as fábricas concentraram-se em regiões próximas às matérias-primas e grandes portos, originando vastas concentrações humanas. Muitos dos operários vinham da área rural e cumpriam jornadas de trabalho de12 a 14 horas, na maioria das vezes em condições adversas. A legislação trabalhista surgiu muito lentamente ao longo do século XIX e a diminuição da jornada de trabalho para oito horas diárias concretizou-se no início do século XX.

Pode-se afirmar que as conquistas no início deste século, decorrentes da legislação trabalhista, estão relacionadas com

A) a expansão do capitalismo e a consolidação dos regimes monárquicos constitucionais.

B) a expressiva diminuição da oferta de mão-de-obra, devido à demanda por trabalhadores especializados.

C) a capacidade de mobilização dos trabalhadores em defesa dos seus interesses.

D) o crescimento do Estado ao mesmo tempo que diminuía a representação operária nos parlamentos.

E) a vitória dos partidos comunistas nas eleições das principais capitais européias.          

 8 – (UF-Viçosa — 2002)  — Leia o texto abaixo:

Qualquer que tenha sido a razão do avanço britânico, ele não se deveu à  superioridade tecnológica e científica. (…) Dadas as condições adequadas, as inovações técnicas da revolução industrial se fizeram por si mesmas, exceto talvez na indústria química. Isto não significa que os primeiros industriais não estivessem constantemente interessados na ciência em busca de seus benefícios práticos. Mas as condições adequadas estavam visivelmente presentes na Grã- Bretanha, (…).(HOBSBAWM, Eric. A era das revoluções. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1981. p. 45 e 47.)

As condições  britânicas adequadas à revolução industrial foram as seguintes, EXCETO:

A) A ampla produtividade agrícola, decorrente de modificações nas formas de produção, permitiu alimentar a população urbana em franco crescimento, bem como acumular capital a ser aplicado em outros setores da economia.

B)Os Enclousure Acts, que decretaram o cercamento dos campos de uso comum, criaram um problema agrário, mas também permitiram que a produção agrícola fosse direcionada para o mercado.

C)A infraestrutura urbana de algumas regiões da Grã-Bretanha atuou como fator de atração para as populações oriundas dos campos e permitiu uma organização social intensa e propícia à melhoria das condições de vida dos trabalhadores.

D)As políticas implementadas depois da derrubada do Absolutismo, ainda no século XVII, caracterizaram-se pelo incentivo à obtenção do lucro privado e ao desenvolvimento econômico, considerados como legítimos e supremos objetivos políticos da nação.

E)A Grã-Bretanha detinha o controle do mercado colonial de escravos e da produção e comercialização do algodão, além de possuir grande quantidade de matéria-prima, como carvão e ferro, destinados à energia e à construção de máquinas.      

 9 – (ENEM 2004) — Algumas transformações que antecederam a Revolução Francesa podem ser exemplificadas pela mudança de significado da palavra “restaurante”. Desde o final da Idade Média, a palavra restaurant designava caldos ricos, com carne de aves e de boi, legumes, raízes e ervas. Em 1765 surgiu, em Paris, um local onde se vendiam esses caldos, usados para restaurar as forças dos trabalhadores.  Nos anos que precederam a Revolução, em 1789, multiplicaram-se diversos restaurateurs, que serviam pratos requintados, descritos em páginas emolduradas e servidos não mais em mesas coletivas e mal cuidadas, mas individuais e com toalhas limpas. Com a Revolução, cozinheiros da corte e da nobreza perderam seus patrões, refugiados no exterior ou guilhotinados, e abriram seus restaurantes por conta própria. Apenas em 1835, o Dicionário da Academia Francesa oficializou a utilização da palavra restaurante com o sentido atual.

A mudança do significado da palavra restaurante ilustra

A) a ascensão das classes populares aos mesmos padrões de vida da burguesia e da nobreza.

B) a apropriação e a transformação, pela burguesia, de hábitos populares e dos valores da nobreza.

C) a incorporação e a transformação, pela nobreza, dos ideais e da visão de mundo da burguesia.

D) a consolidação das práticas coletivas e dos ideais revolucionários, cujas origens remontam à Idade Média.

E) a institucionalização, pela nobreza, de práticas coletivas e de uma visão de mundo igualitária.   

10 – (ENEM 2006) — O que chamamos de corte principesca era, essencialmente, o palácio do príncipe. Os músicos eram tão indispensáveis nesses grandes palácios quanto os pasteleiros, os cozinheiros e os criados. Eles eram o que se chamava, um tanto pejorativamente, de criados de libré. A maior parte dos músicos ficava satisfeita quando tinha garantida a subsistência, como acontecia com as outras pessoas de classe média na corte; entre os que não se satisfaziam, estava o pai de Mozart. Mas ele também se curvou às circunstâncias a que não podia escapar. Norbert Elias. Mozart: sociologia de um gênio.Ed. Jorge Zahar, 1995, p.18 (com adaptações).

Considerando-se que a sociedade do Antigo Regime dividia-se tradicionalmente em estamentos: nobreza, clero e 3º Estado, é correto afirmar que o autor do texto, ao fazer referência a “classe média”, descreve a sociedade utilizando a noção posterior de classe social a fim de

A ) aproximar da nobreza cortesã a condição de classe dos músicos, que pertenciam ao 3º  Estado.

B)  destacar a consciência de classe que possuíam os músicos, ao contrário dos demais trabalhadores manuais.

C)  indicar que os músicos se encontravam na mesma situação que os demais membros do 3º Estado.

D)  distinguir, dentro do 3º  Estado, as condições em que viviam os “criados de libré” e os camponeses.

E)  comprovar a existência, no interior da corte, de uma luta de classes entre os trabalhadores manuais.   

11 – (UERJ) –“Nós, habitantes da paróquia de Longeley abaixo – assinados, tendo-nos reunido em virtude das ordens do rei, dia 6 do presente mês de maio de 1789, resolvemos o que se segue:

Pedimos que todos os privilégios sejam abolidos. Declaramos que se alguém merece ter privilégios e gozar isenções, são estes, sem contradição, os habitantes do campo, pois são os mais úteis ao Estado, porque por seu trabalho o fazem viver”.(cadernos de Súplicas para os Estados Gerais)

Esta reivindicação dos camponeses franceses às vésperas da eclosão da Revolução Francesa traduzia um desejo comum aos demais membros do Terceiro Estado, a saber:

A) a convocação dos Estados Gerais para dar soluções à crise financeira.

B) a formação de uma democracia rural, composta de camponeses autônomos.

C) A supressão de uma ordem social baseada no privilégio e na sociedade estamental.

D) O advento de uma sociedade igualitária com o estabelecimento do sufrágio universal.

E) a distinção da sociedade fundamentada na proposta de cidadãos ativos e cidadãos passivos. 

12 – (UFGO 2006) — As mudanças provocadas pela Revolução Francesa (1789-1815), que alteraram a ordem política na configuração do Estado, foram a

(A) convocação dos Estados Gerais e a reivindicação por igualdade jurídica.

(B) aprovação de uma constituição e a instauração do regime republicano.

(C) extinção da cobrança de tributos e de privilégios feudais e a criação da Guarda Nacional.

(D) elaboração de leis antigreves e a proibição da associação de trabalhadores pelo Estado burguês.

(E) consolidação da Convenção Nacional e a promoção de acordos para salvar a vida do rei. 

13 -(UFU 2004) – A Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão, de 1789, teve grande repercussão no mundo todo. Entretanto, segundo o historiador inglês Eric Hobsbawm: ” Este documento  um manifesto contra a sociedade hierárquica de privilégios nobres, mas não um manifesto a favor de uma sociedade democrática e igualitária. .Os homens nascem e vivem livres e iguais perante as leis., dizia seu primeiro artigo; mas ela também prevê a existência de distinções sociais, ainda que .somente no terreno da utilidade comum…” HOBSBAWM, Eric J. A era das revoluções. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1977, p. 77.

Sobre a Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão de 1789, assinale a alternativa correta.

A) A Declaração, inspirada nos ideais burgueses, tornou-se a base para a democratização do poder e do acesso à propriedade, ao promover a eliminação do regime monárquico e ao abolir o voto censitário durante a primeira fase da Revolução Francesa, além de incentivar a formação de associações de trabalhadores.

B) Os princípios de liberdade, igualdade, fraternidade e do direito à propriedade, principais bandeiras do movimento revolucionário francês, foram consagrados na Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão, durante o predomínio dos jacobinos na fase da Convenção, tornando-a um símbolo da radicalidade popular contra nobres e burgueses.

C) A Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão aprovada pela Assembléia Nacional, na França, foi inspirada na Declaração de Independência dos Estados Unidos, estabelecendo a igualdade de todos perante a lei, o direito à propriedade privada e de resistência à opressão, reforçando o princípio iluminista liberal-burguês.

D) A Declaração, sustentada pelo pensamento iluminista de Voltaire, teve fortes influências nos movimentos de independência das Américas espanhola e portuguesa, ao propor a instauração de regimes republicanos baseados na participação popular, por meio do voto universal.

14 -(UFMG 2004) — Antes, Napoleão havia levado o Grande Exército à conquista da Europa. Se nada sobrou do império continental que ele sonhou fundar, todavia ele aniquilou o Antigo Regime, por toda parte onde encontrou tempo para fazê-lo; por isso também, seu reinado prolongou a Revolução, e ele foi o soldado desta, como seus inimigos jamais cessaram de proclamar.   LEFEBVRE, Georges. A Revolução Francesa. São Paulo: IBRASA, 1966. p. 573.

Tendo-se em vista a expansão dos ideais revolucionários proporcionada pelas guerras conduzidas por Bonaparte, é CORRETO afirmar que

A) os governos sob influência de Napoleão investiram no fortalecimento das corporações de ofício e dos monopólios.

B) as transformações provocadas pelas conquistas napoleônicas implicaram o fortalecimento das formas de trabalho compulsório.

C) Napoleão, em todas as regiões conquistadas, derrubou o sistema monárquico e implantou repúblicas.

D) o domínio napoleônico levou a uma redefinição do mapa europeu, pois fundiu pequenos territórios, antes autônomos, e criou, assim, Estados maiores.

15 – (UFMG 2006) — Com base em conhecimentos sobre o assunto é CORRETO afirmar que o pensamento iluminista

A) levou seus principais ideólogos a tomar parte ativa nos acontecimentos da Revolução Inglesa e a se constituírem na principal liderança desse evento.

B) considerava a desigualdade um fenômeno natural e positivo, além de um importante elemento para garantia da estabilidade social e da paz.

C) favoreceu o envolvimento de todos os seus mentores em campanhas anticlericais, em que manifestavam um ateísmo militante e radical.

D) deu origem a projetos distintos, mas que tinham em comum reformas baseadas no princípio da tolerância e na busca da felicidade.

 

 

16 -(UFF)

 Assinale a alternativa que indica  a obra que denota o caráter renovador da Revolução Francesa.

A)A Enciclopédia dirigida por Voltaire e Rousseau, que estabelecia as regras de organização da nova sociedade francesa, com destaque especial para o elogio dos modos de vida da nobreza, no que diz respeito à educação e aos costumes refinados.

B) A Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão, que anunciava a possibilidade da revolução resultar de um acordo entre os filósofos das Luzes e o Antigo Regime, com o intuito de manter a ordem nos campos e nas cidades.

C) A Declaração Civil do Clero, que cortava radicalmente as ligações com o feudalismo e introduzia um novo estatuto para os trabalhadores rurais, garantindo-lhes a propriedade das terras da nobreza.

D) A Enciclopédia dirigida por D’Alembert, que condensava todas as novas visões sobre o mundo, o homem e a sociedade. Servia de guia para a oposição aos valores do Antigo Regime.

E) A Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão, que preconizava a manutenção da autoridade da nobreza sobre todas as terras da França e dos burgueses sobre as cidades, dividindo o território em duas grandes partes para manter os ideais da Revolução.

17 – ???  Todas as alternativas contêm fatores que determinaram o pioneirismo inglês na Revolução Industrial, EXCETO:

A) A expansão dos mercados consumidores tanto em nível interno quanto em nível externo.

B) A expropriação dos trabalhadores rurais dos seus meios de subsistência através dos Atos de Fechamento dos campos.

C) A revolução técnica que possibilitou a mecanização da produção de tecidos de algodão.

D) A vocação comercial inglesa exercitada nas rotas do Mediterrâneo até a queda de Constantinopla.

E) O desenvolvimento dos meios de transporte com o aparecimento das ferrovias.

18 – (UFMG) — “Assim a Inglaterra pedia lucros e recebia lucros. Tudo se transformava em lucros. As  cidades tinham sua sujeira lucrativa… Pois a nova cidade não era um lar onde o homem pudesse achar beleza, felicidade, lazer… mas um lugar desolado e deserto, sem cor, ar ou riso; onde o homem, a mulher e a criança trabalhavam, comiam ou dormiam… As novas fábricas e os altos-fornos eram como pirâmides, mostrando mais a escravização do homem que seu poder..”      (J. L e Bárbara Hammond, The Rise of Modern Industry.)

A partir do texto, podemos fazer as seguintes afirmativas sobre os efeitos sociais da Revolução Industrial, exceto:

a) Deu-se um intenso deslocamento da população rural em direção às cidades, modificando-se a densidade demográfica.

b) A classe operária, destituída dos seus meios de produção, tinha que se submeter ao regime das fábricas e das máquinas.

c) Eram péssimas as condições de habitação; a concorrência do trabalho feminino era enorme; eram longas as jornadas de trabalho.

d) As novas condições levaram os antigos artesãos e novos assalariados à revolta, ocorrendo a destruição de máquinas em vários lugares

e) Transformação da estrutura agrária através dos cercamentos das terras, o que permitiu a ampliação do mercado consumidor interno.

 

 

19 -(UFC 2007) —  Leia o texto a seguir.

Tanto o liberalismo quanto a revolução social, tanto a burguesia quanto, potencialmente, o proletariado, tanto a democracia (em qualquer de suas versões) quanto a ditadura encontram seus ancestrais na extraordinária década que começou com a convocação dos Estados-Gerais, a Tomada da Bastilha e a Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão.  (HOBSBAWM, Eric. Ecos da Marselhesa. Dois séculos revêem a Revolução Francesa. São Paulo: Companhia das Letras, 1996, p. 81)

A partir do texto e dos seus conhecimentos, assinale a alternativa correta.

A) A Revolução Francesa teve como conseqüência a derrota da classe burguesa e de seus valores liberais.

B) Os princípios democráticos inspiraram os países que invadiram a França logo após a revolução de 1789.

C) A Tomada da Bastilha representou, simbolicamente, a revanche da nobreza frente ao avanço da revolução popular.

D) Os sans-culottes, que formavam o grupo mais radical da Revolução Francesa, podem ser considerados os ancestrais do proletariado.

E) A Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão, aprovada na França em 1789, apesar de formalmente democrática, defendia a legitimidade das ditaduras.

 

 

 

20 – (UFC 2006) — Assinale a alternativa que  apresenta,  corretamente,  uma  realização  de  Napoleão  Bonaparte,  que representou uma consolidação das idéias da Revolução Francesa. 

A)  O  impedimento  do  retorno  do  uso  de  títulos  de  nobreza,  reivindicado  pelos  seus  generais  e  pela burguesia francesa que desejava tornar-se a nova elite do país.

B)  A criação do Código Civil, inspirado no direito romano e nas leis do período revolucionário,  que, na sua essência, vigora até hoje na França.

C)  A  abolição  da  escravidão  nas  colônias  francesas,  reafirmando  o  princípio  da  liberdade  presente  na Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão.

D)  A  realização de uma  reforma  agrária, prometida, mas não efetivada, pelos  jacobinos, o que garantiu a popularidade de Napoleão entre os camponeses.

E)  A  criação  da  Constituição  Civil  do  Clero,  que  proibiu  toda  forma  de  culto  religioso  no  território francês.

 

 

21 – (UFC 2005) — A  propósito  do  século XVIII  na  França,  François  Lebrun  escreve:  “Se  as  principais  obras  dos grandes  filósofos  são  escritas  antes  da metade  do  século,  é  sobretudo  depois  de  1750  que  se acelera a difusão das suas idéias. Essa difusão se choca, sobretudo na França, com a oposição das  autoridades  civis  e  religiosas.  (…) Voltaire, Diderot, Rousseau  conhecem a  prisão  ou  são obrigados ao exílio (…). O livro permanece, com efeito, o meio privilegiado de difusão das idéias novas: obras de um Montesquieu ou de um Rousseau; múltiplas brochuras, libelos ou memórias sobre assuntos de atualidade dos quais Voltaire  faz uma especialidade; por  fim, a grande obra coletiva que constitui a Enciclopédia”. (LEBRUN, François. L´Europe et le monde. XVI.º, XII.º, XVIII.º siècle. Paris, Armand Collin, 1999, p. 230)

Com base neste trecho e nos seus conhecimentos, assinale a afirmação correta acerca do principal objetivo da publicação da Enciclopédia.

A) Divulgar os argumentos que demonstravam a superioridade do pensamento naturalista.

B) Convencer a população da necessidade de realizar a revolução do povo e de abolir a propriedade privada.

C) Atender a uma encomenda pública, visando produzir um material capaz de estender  a instrução ao povo.

D) Fazer uma síntese, às vezes  ousada, do  conhecimento  da  época  nas  áreas  das  ciências,  das artes e dos ofícios.

E) Difundir  as  idéias  econômicas  dos  fisiocratas  como  Diderot,  Voltaire  e  Turgot,  que  se opunham aos iluministas.

 

 

22 – (PUC-Rio) –“A Sociedade dos Amigos dos Direitos do Homem e do Cidadão não teria pedido tão depressa a supressão da realeza se o rei, fiel a seus juramentos, os tivesse como um dever seu. Agora, conjuramo-los a declarar aqui mesmo que a França não é mais uma monarquia, mas agora é uma República. “         (Mensagem dos Cordellers à Constituinte)

O fim da monarquia foi um dos momentos mais importantes da Revolução Francesa.  Sobre ele é correto afirmar que:

A) a República marca o início de um período de mobilização popular liderado pelos girondinos; esse é o momento em que se constituem os comitês revolucionários e onde se destaca a figura de Robespierre.

B) com a República foram abolidos os direitos feudais e assinada a Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão, pondo fim nos privilégios da aristocracia.

C) o novo regime caracterizou-se pela adoção de uma constituição conservadora onde o voto era censitário e o poder executivo era entregue a cinco diretores.

D) a tomada da Bastilha marca o início do período republicano onde se consolidam as conquistas burguesas obtidas durante a monarquia constitucional, como o direito à propriedade, à liberdade e à igualdade perante a lei.

E) ameaçado pela contra-revolução extrerna e pressionado pelas massas populares, o governo republicano girondino perde o poder para o grupo jacobino, que dá início ao período conhecido como “Terror”.             

23 – (PUC-Campinas) – No contexto histórico da Revolução Francesa, o episódio denominado o Golpe do 18 Brumário aconteceu:

A) quando se inicia o regime do Diretório, período que se caracterizou pelos desmandos políticos.

B) no momento em que a Conjura dos Iguais propõe a tomada do poder à força e o fim da propriedade privada.

C) quando Napoleão apoiado pelo Exército e pela alta burguesia derruba o Diretório e chega ao poder.

D) no momento em que os monarquistas tentam voltar ao poder através de golpe que foi sufocado por Napoleão Bonaparte.

E) quando Rob espierre, Saint-Just e seus companheiros do Comitê de Salvação Pública são mortos na guilhotina , pondo fim ao Terror.

 

 

24 – (UNESP 2007)-   Sendo os homens, conforme (…) dissemos, por natureza, todoslivres, iguais e independentes, ninguém pode ser expulso desua propriedade e submetido ao poder de outrem sem dar consentimento. (John Locke, Segundo tratado sobre o governo.)

O patrimônio do pobre reside na força e destreza de suas mãos, sendo que impedi-lo de utilizar essa força e essa destreza da maneira que ele considerar adequada, desde que nãolese o próximo, constitui uma violação pura e simples dessa propriedade sagrada.(Adam Smith, A riqueza das nações.)

A partir da leitura dos textos, é correto afirmar que

(A) John Locke defende a democracia, isto é, a igualdade política entre os homens, ao passo que Adam Smith privilegia o trabalho, portanto a desigualdade.

(B) John Locke funda sua teoria política liberal na defesa da propriedade privada, em sintonia com a defesa da livre iniciativa proposta por Adam Smith.

(C) o consentimento para evitar o poder centralizado do rei,em John Locke, choca-se com a necessidade de intervenção econômica, segundo Adam Smith.

(D) a monarquia absolutista é a base da teoria política de John Locke, enquanto o Estado não intervencionista é o suporte da teoria econômica de Adam Smith.(E) para John Locke, o consentimento é garantido pela divisão dos poderes harmonizando-se com a defesa da propriedade coletiva de Adam Smith.

 

 

 

MAIS EXERCÍCIOS cap.7  …… QUESTÕES DISCURSIVAS

OBS.: AS RESPOSTAS SÃO OFICIAIS, DIVULGADAS PELAS UNIVERSIDADES. AS QUESTÕES SEM RESPOSTAS FORAM AQUELAS ONDE NÃO HOUVE POSSIBILIDADE DE OBTER O GABARITO OFICIAL)

 

25 – (UFCe 2006) – Napoleão Bonaparte tornou-se imperador da França, em 1804. Seu governo foi marcado por guerras e conquistas territoriais, mas, também, por reformas sociais, entre elas, a implantação do Código Civil.

A) De que forma o Código Civil regulou a atuação do movimento operário e da burguesia francesa?

B) Caracterize a política externa da França napoleônica em relação à Inglaterra.  

 

 

 

 

 

26 – (UERJ 2005)

Canção Ludita

E noite trás noite, quando tudo está tranqüilo

E alua se esconde detrás da colina

Nós marchamos para executar a nossa vontade

Com acha, lança ou fuzil

Oh! Meus valentes cortadores

Os que com um só forte golpe

Rompem com as máquinas cortadeiras …

(http://educarterra.terra.com.br)

O movimento Ludita, ocorrido na Inglaterra principalmente entre 1811 e 1813, conhecido na História como “quebra máquinas”, foi uma reação contra os problemas decorrentes da Revolução Industrial.

Mencione:

dois fatores para o movimento Ludita;

 

duas razões, uma no plano social e outra no plano tecnológico, que justifiquem o fato da Revolução Industrial ser considerada um marco do início do mundo contemporâneo.

 

                   

27- (UFRJ – 1995) –       “(…) O que é um homem privado dos direitos de cidadão ativo nas colônias, sob a dominação dos Brancos ?  É um homem que não pode deliberar de nenhuma maneira, que não pode influir nem direta, nem indiretamente, sobre os interesses que mais lhe tocam, os mais sagrados da sociedade da qual faz parte;  é um homem que é governado por magistrados em cuja escolha ele não pode influir de nenhuma maneira, por leis, por regulamentos, por atos de administração pesando sobre ele, sem fazer uso do direito que pertence a todo cidadão de influir nas convençõessociais, no que concerne a seu interesse particular.” Discurso de Robespierre à Assembléia Constituinte, 24/ 09/1791

citado por BONNOURE, P. e outros.  Documents d’Histoire vivante de la antiquité à nos jours.  Dossier V (1789-1851), fiche 9. Paris, Éditions Sociales.

            A Revolução Francesa não se limitou a liquidar com o Antigo Regime.  Introduziu um conjunto de valores e princípios que exerceu uma forte influência na Europa ocidental e em seus territórios coloniais.  Apesar das sucessivas reorientações havidas durante seu processo e da reação contrária proveniente de outras potências européias, tais idéias se universalizaram de modo que muitas delas se incorporaram à recente tradição democrática das sociedades mundiais.

a) Identifique dois princípios consagrados pela Revolução Francesa, a partir dos trechos sublinhados no documento.

 

b) Justifique, através de um argumento, a reação das potências européias contra a Revolução Francesa  ocorrida no período de 1789 a 1794

28 – (UFRJ – 1996) —  “Povo: … Que trabalho você executa na sociedade?

            Classe Privilegiada: Nenhum: não fomos feitos para trabalhar.

            Povo: Como então vocês adquiriram sua riqueza?

            Classe Privilegiada: Assumindo a tarefa de governar vocês.

            Povo: Governar a nós!… Nós nos esgotamos e vocês se divertem; nós produzimos e vocês dissipam; a riqueza flui de nós e vocês a absorvem.  Homens privilegiados, classe distinta do povo, formem uma nação à parte e governem-se a si mesmos.”  Volney. Ruínas. séc. XVIII.  Citado por THOMPSON, E.P. A formação da classe perária inglesa. Vol I, Rio de Janeiro, Paz e Terra, 1987

            A Revolução Industrial não se limitou a um conjunto de transformações técnicas e tecnológicas aplicadas ao processo de produção de mercadorias.  Há uma outra dimensão, de caráter social, que proporcionou, entre outras coisas, a formação da classe operária em sua relação com a classe proprietária dos meios de produção, a burguesia.

a) Cite dois fatores que possibilitaram o início da Revolução Industrial na Inglaterra.

 

b) Explique de que maneira a Revolução Industrial contribuiu para a consolidação da divisão entre capital e trabalho.

 

 

 

29 – (UFRJ – 1997) – “Liberdade é unicamente o poder de agir. Se uma pedra se movesse por sua escolha, seria livre.  Os animais e os homens têm esse poder, portanto são livres. (…) Querer e agir é precisamente o mesmo que ser livre.”            ( Voltaire.  Tratado de Metafísica, cap. VII )

 

            As idéias iluministas, surgidas na França durante o século XVIII, questionaram as bases de sustentação do Antigo Regime, afirmando os princípios considerados revolucionários pela sociedade européia da época.  Entre os mais conhecidos pensadores iluministas se encontra Voltaire (1694-1778), autor do texto acima, escritor, poeta e filósofo, empenhado no combate contra o que denominava “as trevas da ignorância e da superstição”.

1. Apresente dois princípios  ou características do Iluminismo.

 

2. Esclareça como as idéias iluministas contribuíram para a Revolução Francesa.

30 – (UFRJ – 1997) – “Quem quiser falar com certa clareza da dissolução do governo, deve em primeiro lugar, distinguir entre dissolução da sociedade e dissolução do governo. O que constitui a comunidade, e leva os homens do livre estado de natureza para uma só sociedade política, é o acordo que cada um faz com os outros para se incorporar com eles e deliberar como um só corpo, e desse modo,  formar uma única sociedade política distinta.  O modo habitual, e quase o único, pelo qual essa união se dissolve é a invasão de uma força estrangeira (…)”  (John Locke,  Two treatises of government

            As idéias liberais consagraram um conjunto de atitudes próprias da burguesia.  John Locke (1623-1704) foi um dos filósofos a expressar essa visão de mundo que se fez presente nas revoluções do século XVII.

a) Explique uma transformação política ocorrida na Inglaterra a partir da Revolução do século XVII.

 

b) Cite dois princípios do liberalismo.

 

c) Justifique o interesse da burguesia inglesa nos aspectos econômicos do liberalismo.

 

31 – (UFRJ – 2002) – “Entendeis por selvagens certos camponeses que vivem em cabanas (…) que não conhecem nada além da terra que os nutre, e o mercado aonde às vezes vão vender seus produtos (…), que falam um linguajar que  nas cidades não se entende, que têm poucas idéias, e por conseguinte, poucos instrumentos para expressá-las. De selvagens como esses a Europa está cheia. É preciso reconhecer que as populações indígenas da América e os cafres [africanos], que nos comprazemos em chamar de selvagens, são infinitamente superiores aos nossos”

.Fonte:Apud GINZBURG, Carlo. Olhos de madeira.São Paulo, Companhia das Letras, 2001, pp. 31-32.

Este texto foi escrito Voltaire, por um dos maiores pensadores da Ilustração. Normalmente se associa o Iluminismo a um movimento filosófico marcado pela defesa da crítica, da ciência e da liberdade de expressão, chegando inclusive a influenciar a própria Revolução Francesa.

Com base no texto de Voltaire, explique um outro aspecto do Iluminismo;

 

Caracterize a participação dos camponeses na primeira fase da Revolução Francesa.

32 – (UFC 2003) — Na Revolução Francesa “a única alternativa para o radicalismo burguês (se excetuarmos os pequenos grupos de ideólogos ou militantes impotentes quando destituídos do apoio das massas) eram os sansculottes”.(HOBSBAWM, Eric. A Era das Revoluções. Rio de Janeiro, Paz e Terra, 1981, p.81)

A) Como era a composição social dos sans-culottes?

 

B) Quais eram as principais reivindicações sociais e políticas dos sans-culottes?

 

 

33 – (UFC 2004 – adaptada)

Em entrevista à Folha de São Paulo (setembro de 2003), o pensador búlgaro Tzvetan Todorov fez a seguinte declaração sobre a política dos EUA, citando Montesquieu: ”Nenhum poder que não tem limites pode ser legítimo”

E acrescentou: “O erro da política americana consiste em não buscar esse tipo de legitimidade, em agir com base unicamente no que lhe parece ser seu direito, sem ouvir os outros.”

B) Explique a crítica de Montesquieu e caracterize o período histórico em que ela se insere.

 

 

34 – (UFRJ 2002)

 Variação (%) dos valores das exportações britânicas frente ao total da produção nacional bruta e de acordo aos seus mercados compradores

Anos

% da produção nacional britânica voltada para a exportação

% das exportações britânicas destinadas à Europa continental

% das exportações britânicas destinadas às Américas

% das exportações britânicas destinadas a outras partes do mundo

1700-1701

8

85

10

5

1750-1760

15

77

16

7

1770-1780

9

49

37

14

1797-1800

16

30

57

13

Fonte: Adaptado de SOLOW, Barbara & ENGERMAN, Stanley (eds.). Slavery and the rise of the atlantic system. Cambridge, Cambridge University Press, 1991, pp. 186-187.

A segunda coluna da tabela acima expressa os percentuais das exportações da Inglaterra frente ao conjunto da produção nacional daquele país durante o século da Revolução Industrial. As colunas seguintes indicam os pesos das diferentes áreas consumidoras destas exportações no comércio externo inglês.

a) Considerando que muitos historiadores associam o crescimento da produção nacional britânica do século XVIII ao mercado consumidor externo — particularmente ao das Américas explique de que modo a tabela acima questiona semelhante afirmação;

b) Explique como a conjuntura européia própria do período 1797-1800 contribuiu para o declínio das exportações britânicas destinadas à Europa continental.

 

 

35 – (UFC 2006) — Se nós, brasileiros, devemos continuamente lidar com o mito do povo bom, cordial, submisso, os ingleses têm um mito parecido, talvez ainda mais forte em sua cultura: o da sociedade na qual as mudanças se fazem de maneira consensual, na qual a gentileza prevalece sobre os conflitos, e estes não desandam em confronto.”  (RIBEIRO, Renato Janine. Apresentação. In: HILL, Christopher. O mundo de ponta-cabeça.Idéias radicais durante a Revolução Inglesa de 1640. São Paulo: Companhia das Letras, 1987. p. 11)

A) Considerando a implantação da República na Inglaterra, no século XVII, é possível reafirmar o mito inglês apresentado pelo autor? Justifique.

B) Apresente três argumentos favoráveis à idéia segundo a qual a Revolução Inglesa criou as condições fundamentais para a Revolução Industrial, ocorrida no século seguinte.

36 – (UFC 2006) — Napoleão Bonaparte tornou-se imperador da França, em 1804. Seu governo foi marcado por guerras e conquistas territoriais, mas, também, por reformas sociais, entre elas, a implantação do Código Civil.

A) De que forma o Código Civil regulou a atuação do movimento operário e da burguesia francesa?

B) Caracterize a política externa da França napoleônica em relação à Inglaterra.  

 

 

37 – (PUC – RIO 2009) -  A Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão, votada em 1789 pela Assembléia Nacional Constituinte, foi um ato fundamental da Revolução Francesa e contém os princípios que inspirarão muitas constituições modernas. Em seus primeiros artigos, afirma que “os homens nascem livres e iguais em Direitos” e que as distinções devem se basear na “utilidade comum”.

Em 1948 aONU aprovou a Declaração Universal dos Direitos do Homem e retomou em sua abertura as palavras dos revolucionários franceses: “Todas as pessoas nascem livres e iguais em dignidade e direitos. São dotadas de razão e consciência e devem agir em relação umas às outras com espírito de fraternidade”.

a) IDENTIFIQUE dois direitos reivindicados pela Declaração de 1789 e EXPLIQUE por que eram revolucionários, para a época.

 

 

b) INDIQUE uma instituição ou agência criada nos últimos sessenta anos para a defesa internacional dos direitos humanos.

Cap. 8:

1 – (UFMG / 2000) Em 1776, após uma série de conflitos, parcela expressiva das sociedades das Treze Colônias se articulou no sentido de romper com o domínio inglês. Considerando-se esse processo, bem como seus desdobramentos, é CORRETO afirmar que ele se

(A) notabilizou pela consolidação do latifúndio, o que atendia aos interesses das elites religiosas, que se apropriaram de grandes glebas de terras.

(B) caracterizou, desde o início, pela intransigente defesa da escravidão por parte dos americanos, no que eram contraditados pelos interesses ingleses.

(C) configurou como uma primeira tentativa de instalação de um regime socialista anticolonial, o que contrariava seriamente os interesses dos comerciantes.

(D) destacou pela repercussão internacional alcançada, tornando-se uma referência, na prática, para outras colônias americanas.

 

2 - (UFMG 2009)  — O Reinado de D. Pedro II foi marcado por ações que demonstravam o interesse da Monarquia em estimular o crescimento intelectual da nação.

Considerando-se essa informação e outros conhecimentos sobre o assunto, é CORRETO afirmar que, entre as principais ações nesse sentido, se destaca

A) a criação de instituições de ensino – como a Escola de Minas de Ouro Preto, que, embora voltada à formação das elites, cumpriu importante função na pesquisa e na prospecção de minerais.

B) a fundação do Museu da Inconfidência – um museu-escola –, que representou um ato de reparação aos mineiros pela perda, no processo de devassa da Inconfidência Mineira, de seus ilustres intelectuais.

C) o financiamento da vinda da Missão Artística Francesa, que se propôs estimular e ensinar as mais diversas formas de expressão artística a artistas brasileiros.

D) o resgate e proteção do Barroco Mineiro  e, conseqüentemente, de Aleijadinho, seu principal representante  como forma de valorização da produção cultural brasileira.

 

 

3 – (CEDERJ 2003)  O lema consagrado pela Revolução Francesa, “liberdade,igualdade e fraternidade”, influiu diretamente sobre inúmeros movimentos de inconfidência verificados no Brasil Colonial em fins do século XVIII.

Identifique a opção que define corretamente a Inconfidência Mineira:

A) o movimento teve como principal participante uma elite de homens brancos e letrados, influenciados pelos princípios iluministas europeus;

B) este movimento também conhecido como Conjuração dos Alfaiates, revelou as contradições do sistema colonial, provocando sua crise;

C) a difusão das idéias liberais promovida por esse movimento implicou  a primeira experiência de regime republicano na história do país;

D) o movimento das Minas Gerais baseou-se na forte participação de mulatos, negros livres e escravo, o que refletia tanto sua preocupação com o fim da dominação colonial, quanto com a escravidão;

E) um de seus principais motivos foi a prolongada crise do setor cafeeiro que se arrastou ao longo da segunda metade do século XVIII.

4 - (CEDERJ 2004)  “A liberdade consiste no estado feliz, no estado livre do abatimento;a liberdade é a doçura da vida, o descanso do homem com igual paralelo de uns para outros, finalmente a liberdade é o repouso e a bem-aventurança do mundo. A França está cada vez mais exaltada, (…) as nações do mundo todas têm seus olhos fixos na França, a liberdade é agradável para todos; é tempo, povo; povo, o tempo é chegado para vós defenderdes a vossa liberdade; o dia da nossa revolução, da nossa liberdade e de nossa felicidade está para chegar; animai-vos, que sereis felizes para sempre.”  (Panfleto manuscrito da Conjuração Baiana, 1798)

A partir do documento acima, a opção que melhor representa as idéias que fundamentam a Conjuração Baiana é :

A) o modelo absolutista monárquico que preserva os direitos políticos do cidadão;

B) a idéia comunista, presente na Revolução Francesa, se tornou o modelo ideal;

C) o anarquismo expresso no ideário da liberdade;

D) o ideário liberal presente na Revolução Francesa;

E) o autoritarismo político que se traduziu na Revolução Francesa.

 

 

5 – (Ufu 2009) – “A experiência e a razão demonstram que a riqueza reina onde há liberdade e justiça e não onde há cativos e corrupção. (…) Se este mal persiste, não cresceremos.” ANDRADE E SILVA, José Bonifácio. Obras científicas, políticas e sociais, São Paulo: Prefeitura Municipal de São Paulo, 1965. p. 115-158.

 

A frase acima foi proferida por José Bonifácio em um manifesto a favor da abolição da escravidão e de propostas de reforma agrária. Considerando a ambientação histórica das ideias defendidas por ele, assinale a alternativa correta.

A) Desde o Tratado Anglo-Brasileiro, no início do século XIX, compromissos foram assumidos para abolir o tráfico de escravos. Entretanto, a influência dos proprietários de terra e dos traficantes do Brasil se manteve muito presente até a virada do século.

B) As restrições ao tráfico interprovincial dividiram o Império em duas regiões conflituosas em meados do século XIX: o Sudeste cafeeiro, onde se reduzia drasticamente o número de cativos, e o Nordeste açucareiro e algodoeiro, apoiado nas relações escravistas.

C) O crescimento econômico do Brasil durante o século XIX deveu-se à industrialização, uma vez que as baixas rendas e o reduzido consumo, intrínsecos ao trabalho escravo, restringiam o ritmo do crescimento exclusivamente ao setor agrário da economia.

D) No século XIX, inspirados nas ideias de Montesquieu e Hobbes, os Liberais Exaltados eram contra a escravidão no Brasil, defendendo a igualdade, a liberdade e a fraternidade entre todos os cidadãos.

 

 

6 – (Ufu 2009) –  “No século XVII, quando a América Espanhola já apresentava universidade, bispados, produções literárias e artísticas de várias gerações, a costa inglesa da América do Norte era um amontoado de pequenas aldeias atacadas por índios e rondadas pela fome. [...]

Decorridos cem anos do início da colonização, caso comparássemos as duas Américas, constataríamos que a ibérica tornou-se muito mais urbana e possuía mais comércio, maior

população e produções culturais e artísticas mais ‘desenvolvidas’ que a inglesa.” KARNAL, Leandro. Estados Unidos: a formação da Nação. São Paulo: Contexto, 2005. p. 17

Sobre o empreendimento colonial inglês e ibérico, assinale a alternativa correta.

A) O ideal protestante, próprio da América inglesa, de vida contemplativa e de felicidade após a morte, definiu uma concepção negativa de trabalho braçal.

B) A Igreja oficial inglesa definiu a unidade religiosa nas treze colônias, sendo todas as diversidades consideradas crime e heresia punidas pela Inquisição.

C) Na América ibérica ocorreu a integração do índio ao universo cristão, ainda que de forma subordinada, ao contrário do que ocorreu na América anglo-saxônica.

D) Os colonos ingleses eram altamente instruídos e com capitais abundantes, enquanto a América ibérica foi povoada por aventureiros e degredados.

 

 

7 – UFRRJ 2003)             Leia o quadro abaixo e responda à questão.

            “(…) Os membros da assembléia temem pelo Rio de Janeiro, em razão do número de escravos e da presença perigosa de africanos livres e residentes, em muito grande número entre nós. É evidente para todos que as doutrinas haitianas são pregadas aqui, que os escravos são atraídos pela isca da liberdade, e são incitados pelos espíritos `vertiginosos´ nacionais e estrangeiros, do interior e do exterior, a entrar em movimentos semelhantes àqueles que lhes mostrou o funesto exemplo da Bahia.”

Moção votada pela Assembléia Provincial do Rio de Janeiro, dirigida ao governo central. In:VERGÉ, P. Fluxo e Rfeluxo do tráfico de escravos entre o Golfo de Benin e a Bahia de Todos os Santos dos séculos XVII a XVIII. São Paulo: Corrupio, 1987. p. 373.

            O documento acima é uma demonstração do pânico existente entre as elites brasileiras frente a qualquer manifestação da população de origem africana em relação à manutenção da escravidão. No texto, as referências às “doutrinas haitianas” e aos “movimentos semelhantes àqueles que lhes mostrou o funesto exemplo da Bahia” dizem respeito, respectivamente:

A) às de fim do governo de minoria branca no Haiti e à revolta da Balaiada.

B) à expulsão de todos os europeus e seus descendentes imposta pelo governo do Haiti e à revolta da Sabinada.

C) à invasão dos haitianos do território do Grão – Pará, para libertar os escravos , e à revolta da Cabanagem.

D) À proposta de extinção da escravidão feita pelo governo do Haiti e à revolta Farroupilha.

E)à independência do Haiti realizada por escravos e libertados e à revolta dos Malês.

 

 

8 – (UFMG 2000) Para a América espanhola [e, pode-se acrescentar, para o Brasil oitocentista e os Estados Unidos], o Haiti foi um exemplo e uma advertência, observados com crescente horror tanto por governantes como por governados.

LYNCH, John. In: BETHELL, Leslie (Org.). História da América Latina. São Paulo:Edusp; Imprensa Oficial do Estado; Brasília: Fundação Alexandre de Gusmão, 2001. v. 3, p. 69.

Nesse trecho, faz-se referência

A) ao subdesenvolvimento e à miséria da ilha caribenha, país mais pobre da América Latina.

B) à desagregação da sociedade haitiana, reforçada pelas constantes turbulências econômicas.

C) ao aumento crescente da influência dos ideais anarquistas e evolucionistas na ilha caribenha.

D) ao processo de independência da ilha, marcado por uma sublevação maciça de escravos negros.

 

 

9 – (UFU – julho 2005) —  “É uma idéia grandiosa pretender formar de todo o Novo Mundo uma só nação com um só vínculo que ligue suas partes entre si e com o todo. Já que tem uma origem, língua, costumes e uma religião (comuns) deveria, por conseguinte, ter um só governo que confederasse os diversos Estados que hão de formar-se (…).”  Simón Bolívar. Carta de Jamaica. Kingston, 6 de setiembre de 1815. In: ZEA, Leopoldo (comp.).Fuentes de La Cultura Latinoamericana. México:Fondo de Cultura Económica, 1993.

Tomando como referência a afirmação de Simón Bolívar e o processo de Independência das colônias da América Espanhola, assinale a alternativa correta.

A) A independência do Haiti, uma das últimas da América, foi realizada pela elite criolla da colônia, responsável pela libertação dos escravos africanos logo após o movimento de emancipação da ilha.

B) O projeto de Simón Bolívar era a formação de uma grande confederação, reunindo os Estados da América hispânica numa república, sob um governo único. Ao contrário, San Martín − outro líder na luta pela independência − era federalista e defensor de uma América do Sul composta de países independentes e monárquicos.

C) Temerosos de que as sublevações pudessem atingir suas colônias na América, os ingleses apoiaram os espanhóis na defesa dos governos do Vice-Reino de Nova Granada e da Grã-Colômbia.

D) A Doutrina Monroe, cuja idéia pode ser resumida na frase “A América para os americanos”, aproximava-se dos ideais de Bolívar, ao defender o estabelecimento de regimes democráticos e republicanos nos países independentes.

 

 

10 – (UFU – julho 2005)

A Inconfidência Mineira (1789) e a Inconfidência Baiana (1798) foram movimentos políticos que, a despeito de suas diferenças, buscavam a separação do Brasil ou de parte dele do domínio colonial português. Sobre os dois movimentos, podemos afirmar que

I – a Inconfidência Mineira teve participação popular e escrava na base de sua articulação, enquanto a Inconfidência Baiana foi um movimento planejado e impulsionado pelas elites baianas.

II – tantoem Minas Geraisquanto na Bahia setecentista circulavam textos, panfletos e idéias liberais, como também notícias sobre as revoluções americana e francesa, colaborando para a difusão do ideal republicano.

III – enquanto a Inconfidência Mineira teve, nos círculos literários árcades, um importante veículo de difusão de idéias, a Inconfidência Baiana encontrou, nas lojas maçônicas, um espaço para a divulgação de seus princípios ideológicos.

IV- enquanto a Inconfidência Mineira não obteve êxito, sendo seus principais líderes executados, presos e exilados, a Inconfidência Baiana obteve algumas vitórias, como a conquista da proibição do tráfico negreiro.

Assinale a alternativa correta.

A) Apenas I e IV são corretas.

B) Apenas I e III são corretas.

C) Apenas II e IV são corretas.

D) Apenas II e III são corretas.

 

 

11 – (UFGO 2004)

Na primeira metade do século XIX, a América Latina foi convulsionada pelos movimentos de independência, provocando instabilidade na política internacional. Diante desse contexto, o governo norte-americano anunciou a Doutrina Monroe (1823), que se relaciona com

 (A) a defesa do continente americano de possíveis intervenções político-militares por parte das monarquias européias.

(B) o incentivo a projetos políticos de expansão colonial dos EUA em direção ao continente sul-americano.

(C) o apoio ao projeto de unidade política entre os países da América Central, defendida pelo líder Simón Bolívar.

(D) a garantia da ampliação do mercado externo para escoamento da produção industrial do norte dos EUA.

(E) a criação de acordos comerciais entre EUA e os recém- criados países latino-americanos.

 

 

12 – (UFGO 2003 adaptada) — Os processos de emancipação política das colônias ibero-americanas, ocorridos na primeira metade do século XIX, apresentam semelhanças, sobretudo no que diz respeito à influência das guerras napoleônicas no mundo colonial.

Entretanto, há que se destacar as especificidades de cada região colonial que dividiram as novas nações americanas em mundos distintos. Sobre esse período histórico, assinale a ERRADA

A) A primeira tentativa de emancipação política no México (1810) distinguiu-se dos outros movimentos da América espanhola, pois contou com o apoio popular e propôs o fim da escravidão indígena.

B) As Províncias Unidas da América Central organizaram-se enquanto unidade política em 1824. No entanto, as pressões inglesas e norte-americanas fragmentaram a região com a divisão nas seguintes repúblicas: Guatemala, Honduras, El Salvador, Nicarágua e Costa Rica.

C) Ao completar-se a formação do Estado brasileiro (1822-1831), a elite agrária passou a defender a substituição da mão-de-obra escrava pela dos imigrantes estrangeiros.

 D) As colônias ibero-americanas mantiveram, após a sua emancipação política, a permanência dos laços de dependência econômica, então redefinidos com a supremacia do capitalismo inglês.

 

 

13 – (UFGO 2007)  – O processo de emancipação das colônias espanholas na América, no início do século XIX, foi marcado por lutas prolongadas contra a Coroa. As independências na América do Sul espanhola foram uma decorrência da

 (A) direção política da elite criolla, restringindo a participação popular aos campos de batalha.

 (B) interferência da Inglaterra, apoiando o projeto político de uma confederação americana.

 (C) abolição da escravidão, com a crescente utilização de ex-escravos nas tropas patriotas.

 (D) participação norte-americana por meio do envio de soldados.

 (E) aliança entre Napoleão e os Bourbons, quando a França invadiu a Espanha.

14 – (UNIRIO 2005) — O processo de independência da América espanhola ocorreu em um contexto político-social de lutas internas e interesses estrangeiros, dentre os quais identificamos corretamente:

A) a participação política dos cabildos e das juntas governativas que, influenciadas pelo ideário político iluminista, atuaram em prol do fim da escravidão e da propriedade privada nos territórios da Coroa espanhola.

B) a vitória de diversas rebeliões populares, lideradas por indígenas, que lutavam contra a opressão das elites espanholas e americanas, criando novos países livres no continente, tais como o Peru e o Chile.

C) a atuação de Simon Bolívar, cuja marcha popular libertadora contra os interesses da Espanha e dos Estados Unidos defendia a formação de um único país monárquico e latino na América do Sul.

D) a atuação dos criollos, membros das elites hispano-americanas, que buscavam romper com a política metropolitana monopolista que dificultava suas transações mercantis, sobretudo com a Inglaterra.

E) a derrota de Napoleão na Europa, ocasionando o enfraquecimento das monarquias européias comprometidas com o centralismo político e o colonialismo mercantilista na América.

 

 

15 –  (UEA 2002)“..Todos os homens foram criados iguais; são dotados por seu Criador com certos direitos inalienáveis…: a vida, a liberdade e a busca da felicidade.”

A guerra da independência iria durar seis anos. Os americanos se beneficiaram de uma aliança com a França e, depois, com a Espanha.

Assinale a alternativa que explica a participação francesa e espanhola na Guerra da Independência dos Estados Unidos.

(A) Acima dos interesses econômicos próprios, os países europeus envolvidos na guerra de independência buscavam manter os americanos nos limites da obediência, porque a insubordinação colonial era uma ameaça a todas as potências mercantilistas.

(B) A Declaração da Independência foi largamente influenciada pelas idéias dos filósofos iluministas europeus, as idéias francesas – como as de Locke, dos direitos naturais, e as de Rousseau, da soberania popular – , facilitando a atração do apoio francês ao movimento americano.

(C) A aliança da França e da Espanha com os Estados Unidos na guerra de independência deveu-se à expectativa de enfraquecimento do concorrente comum e da recuperação de colônias perdidas com a Guerra dos Sete Anos.

(D) A participação francesa e espanhola na guerra de independência deveu-se apenas a um desejo de vingança pela derrota na Guerra dos Sete Anos – tão expressiva que abalou o absolutismo em ambos os países –, que ofendera fortemente o orgulho nacional.

(E) O objetivo franco-espanhol no apoio aos Estados Unidos na guerra de independência foi devido à concorrência entre países que realizavam as suas revoluções industriais .

 

 

16 – (UFMA) –  Podemos afirmar que, dentre os principais objetivos da Inconfidência Mineira de 1789, o que gerou maiores controvérsias entre os inconfidentes, deixando de figurar entre as propostas finais do movimento, foi:

A) o perdão aos devedores do fisco

B) a liberação da circulação dos diamantes

C) a abolição da escravidão

D) a criação da primeira Universidade no Brasil

e) a instalação de manufaturas e fábricas

 

 

17 – (PUC-SP) Na discussão com o Parlamento inglês sobre as Leis do Açúcar e do Selo (1764-65), os colonos ingleses da América baseavam sua argumentação para recusar as medidas:

A) Nos prejuízos financeiros advindos do bloqueio aos produtos das Antilhas.

B) Nos direitos naturais do cidadão à vida, à propriedade e à busca da felicidade.

C) No fato de não estarem representados na assembléia que votou as taxas.

D) No princípio de isenção de taxas concedido pela Coroa aos colonos.

E) No direito inalienável dos súditos ingleses se recusarem a obedecer leis injustas.

 

18 – (FUVEST) Os conflitos entre os colonos americanos e a Inglaterra, que desencadearam a Guerra da Independência dos Estados Unidos, originaram-se de divergências sobre as seguintes questões:

A) Direito dos colonos de organizarem milícias; a extinção das atividades agrícolas no sul; criação de escolas.

B) Liberdade de comércio; representação colonial rio Parlamento; legalidade na cobrança de impostos.

C) Direito do Parlamento de legislar sobre as colônias; importação das manufaturas inglesas; liberdade de culto.

D) Imigração estrangeira; nomeação de governadores; extinção das assembléias coloniais.

E) Desenvolvimento das manufaturas coloniais; sucessão do trono inglês, pagamento da dívida da Guerra dos Sete Anos.

 

19 – (UFF)Consideramos evidentes as seguintes verdades: que todos os homens foram criados iguais; que receberam de seu Criador certos direitos inalienáveis; que entre eles estão os direitos à vida, à liberdade e à busca da felicidade.”   (Declaração de independência dos Estados Unidos da América, 2 de julho de 1776.)

Esta passagem denota

A) O desejo do Congresso Continental de delegados das 13 Colônias no sentido de empreender reformas profundas na sociedade do novo país.

B)  A utilização de categorias do Direito Natural Racional, no contexto das idéias do iluminismo.

C) Que o Congresso Continental, apesar de rebelde à Inglaterra, permanecia fiel ao ideário do absolutismo, pois deste emanavam os ideais que defendia.

D) Influência das reformas empreendidas no século XVIII pelos chamados “déspotas esclarecidos” da Europa.

E) Que os delegados das Treze Colônias tinham urna concepção ingênua e equivocada das sociedades humanas.

 

 

20 – Um dos principais fatores que conduziram à independência dos EUA foi:

A) O lançamento sistemático de tributos por parte da Inglaterra, sem anuência da população norte-americana.

B) O processamento da Revolução Industrial nos EUA, o que contrariava os interesses ingleses.

C)  A concorrência mercantil na área de Caribe desenvolvida pelo comércio norte-americano em oposição à Inglaterra.

D) A necessidade de romper o monopólio comercial que a Inglaterra exercia sobre os produtos agrários do sul dos EUA.

 

21 – (UFMG – 1998) Observe a gravura.

A Independência dos Estados Unidos.

A inscrição no pedestal diz:

“A América e os mares te reconhecem, ó Luís [XVI], como seu libertador.”

Todas as afirmativas explicam por quê, em uma gravura de época que exalta a Independência Americana, Luís XVI aparece ao lado de Benjamin Franklin e George Washington, EXCETO

A)a França, a fim de contrariar os interesses ingleses na região, forneceu ajuda ao exército americano em armamentos e tropas.

B) A França foi a primeira nação européia a reconhecer a nação americana e articular        os termos do tratado de paz com a Inglaterra.

C)Os espanhóis, com apoio da França, se uniram ao exército americano, e a liberdade de navegação dos mares ficou assegurada.

D)A França, em respeito à Declaração dos Direitos do Homem, apoiou a luta de libertação dos escravos no contexto da Independência americana.

 

22 – (CES – 2000)  –A Guerra de Independência dos E.U.A. teve como conseqüência na França:

A)  O fortalecimento do absolutismo do rei da França;

B)   A organização do movimento de resistência ao despotismo dos Habsburgos;

C)   A ruína da economia;

D)  O fortalecimento das finanças;

E)  O aumento do domínio colonial na América do Norte.

 

23 – (FGV 1999) As disputas entre França e Inglaterra mantiveram-se fora do continente europeu.A Guerra dos Sete Anos (1756- 63) é um desses momentos que teve por origem a(s):

A) solução para o impasse do trono irlandês sob tutela de Elizabeth I desde a morte de Mary Stuart desaprovada pelo governo francês;
B) áreas na América do Sul – as Guianas;
C) intolerância religiosa praticada pelos colonos ingleses.
D) autonomia das Treze Colônias Inglesas não reconhecida pela França;
E)  áreas na América do Norte, principalmente a leste do rio Mississipi;

 

 

24 - (PUC – 1999) A Guerra de Independência, travada entre as treze colônias inglesas da América do Norte e  a  Grã-Bretanha,   apresentou  como  resultado, EXCETO:

A)   A liberdade individual foi afirmada.

B)   As instituições republicanas foram consolidadas.

C)   Os direitos dos cidadãos foram assegurados.

D)   A cidadania foi estendida à população negra. 

E)   Os princípios democráticos foram consagrados.

  

 

25 – (UFC 2003) — Ao mesmo tempo em que se desenvolvia, em Portugal, uma política de reforma do absolutismo, surgiram conspirações na Colônia. Elas estavam ligadas às novas idéias e a acontecimentos ocorridos na Europa e nos Estados Unidos, mas também à realidade local. A idéia de uma nação brasileira foi se definindo à medida em que setores da sociedade da Colônia passaram a ter interesses distintos da Metrópole ou a identificar nela a fonte de seus problemas. Uma dessas conspirações foi a Inconfidência Mineira. Sobre o grupo que organizou esse movimento é correto dizer:

A) era heterogêneo, de origem social variada, com idéias diferentes sobre as transformações sociais que o movimento deveria provocar.

B) era um pequeno grupo de mineradores, preocupados unicamente em não pagar mais impostos à Metrópole, pois a extração do ouro tinha diminuído, e a Coroa continuava a cobrar o quinto.

C) era um grupo homogêneo de intelectuais, inspirados no Iluminismo e no liberalismo da Revolução Americana.

D) eram todos jovens, filhos da elite colonial, que tinham ido estudar na Europa.

E) teve forte presença de homens pobres, livres, libertos e escravos, e por isso, o fim da escravidão era um de seus principais objetivos.

 

 

26 – (UFC 2003) — A respeito da Independência do Brasil é correto afirmar que:

A) implicou em transformações radicais da estrutura produtiva e da ordem social, sob o regime monárquico.

B) significou a instauração do sistema republicano de governo, como o dos outros países da América Latina.

C) trouxe consigo o fim do escravismo e a implementação do trabalho livre como única forma de trabalho e o fim do domínio metropolitano.

D) implicou em autonomia política e em reformas moderadas na ordem social decorrentes do novo status político.

E) decorreu da luta palaciana entre João VI, Carlota Joaquina e Pedro I, que teve como conseqüência imediata a abertura dos portos.

 

 

27 – (UFC 2006) — Em 1776, ocorreu a ruptura entre as 13 Colônias Inglesas da América do Norte e a Coroa Britânica. Em relação a este contexto e sobre a organização social dos Estados Unidos da América, é correto afirmar que: 

A)  a  Inglaterra  juntamente  com Espanha,  a  França  e  a Holanda montaram  uma  coalizão militar  contra os exércitos coloniais.  

B)  a  independência das 13 Colônias possibilitou  a  abolição da  escravatura  e  a outorga aos ex-escravos de direitos civis e políticos semelhantes aos dos colonos de origem inglesa.

C)  a  independência  assegurou  aos  índios  do  Oeste  o  livre  acesso  à  terra,  a  partir  da  organização  de povoamentos exclusivamente formados por indígenas. 

D)  a Constituição  norte-americana  adotou  a  república  federativa  presidencial  como modelo  de  governo e instituiu a divisão de poderes em executivo, legislativo e judiciário. 

E)  o  Tratado  de  Paris,  em  1783,  determinou  o  pagamento  de  indenização  dos  Estados  Unidos  da América à Coroa Britânica, em função do rompimento dos laços coloniais. 

 

28 - (UFMG – 2005) — Leia este trecho:

De acordo com um documento de 1781, era a Capitania de Minas Gerais povoada “de mineiros, negociantes e oficiais de diferentes ofícios”. Os mineiros eram os que davam maior lucro à Coroa, em razão dos quintos, mas eram os “mais pensionados, pelas grandes despesas que fazem em escravos, ferro, aço, pólvora e madeiras, tudo indispensável para a laboração de suas feitorias”. Os roceiros e fazendeiros ocupavam-se das suas culturas e da criação de gado, pagando dízimo de sua produção. Os negociantes, por sua vez, eram “utilíssimos”, deles redundando a “S. Majestade a utilidade do contrato das entradas”. Finalmente, “os mais povos das minas se ocupa cada um no exercício que têm, e dão a Sua Majestade a utilidade conforme o uso de seu viver, ainda que haja muitos vadios, e pela sua vadiação, chegam a ser facinorosos e homicidas, o que não aconteceria se houvesse modo de os reprimir e conservar debaixo de uma rigorosa sujeição, porém, como nas minas têm os seus habitantes a liberdade de darem de comer a todos aqueles, que às horas o procuram, dão assim causa a muitas desordens”. Descrição Geographica, topographica, histórica e política da Capitania de Minas Geraes. Revista do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro.71 (1908). p. 190. (Adaptado)

A partir das informações contidas nesse trecho de documento, é CORRETO afirmar que :

A) os roceiros e fazendeiros, ocupados com suas terras de plantar e de criar, eram isentos do pagamento de impostos, o que lhes possibilitava um lucro maior que o dos mineradores.

B) os segmentos da sociedade mineira dedicados a outros negócios e ofícios, além dos de minerar, plantar e criar, não geravam riquezas para Portugal, porque não pagavam os direitos de entrada na Capitania.

C) os vadios, que tendiam, em razão do seu ócio, a se tornar malfeitores, eram perseguidos pela população e duramente reprimidos pelas autoridades, que

temiam a generalização das desordens nos núcleos urbanos.

D) os mineradores, responsáveis por grandes investimentos na atividade de extração do ouro, eram aqueles que, por meio do pagamento do quinto, mais contribuíam para o enriquecimento do Real Erário.

 

 

29 –  (UFMG – 2005) — Leia este trecho:

… não somos índios nem europeus, mas uma espécie intermediária entre os legítimos proprietários do continente e os usurpadores espanhóis: em suma, sendo

americanos por nascimento e nossos direitos os da Europa, temos de disputar estes aos do país e mantermo-nos nele contra a invasão dos invasores – encontramo-nos, assim, na situação mais extraordinária e complicada.    BOLÍVAR, Simón. Carta de Jamaica, 1815

Ao escrever esse texto, o autor refere-se à situação ambígua dos A) criollos, formados na tradição européia, mas identificados com o Novo Continente.

B) escravos negros americanos, que perderam seus laços culturais com a África.

C) mulatos libertos nascidos na América, divididos entre diferentes tradições culturais.

D) cholos, indígenas educados por europeus, afastados das suas raízes identitárias originais.

 

 

 

 

MAIS EXERCÍCIOS……… QUESTÕES DISCURSIVAS

 

30 – (CEDERJ 2009) – A LEI DO VENTRE LIVRE

“A Princesa Imperial Regente, em nome de Sua Majestade,O Imperador Sr. D. Pedro II, faz saber a todos os súditos do Império que a Assembléia Geral Decretou e ela Sancionou a Lei seguinte:

Art.1o Os filhos de mulher escrava que nascerem no Império desde a data desta lei, serão considerados de condição livre.

Par.1o Os ditos filhos menores ficarão em poder e sob a autoridade dos senhores de suas mães, os quais terão

a obrigação de criá-los e tratá-los até a idade de oito anos completos.

Chegando o filho da escrava a esta idade, o senhor da mãe terá a opção de receber do Estado a indenização de 600$000 réis ou de utilizar-se dos serviços do menor até a idade de 21 anos completos.

(…)”

(Lei 2.040, de 28 de setembro de 1871)

A Lei do Ventre Livre praticamente anunciou que a escravidão estava com seus dias contados no Brasil. No entanto, ainda se fazia valer a força dos senhores de escravos, defendendo aquilo que consideravam seus direitos.

Identifique, no texto da Lei, um dispositivo que mostrava a presença do poder dos proprietários escravistas frente ao Estado brasileiro.

 

 

31 – (CEDERJ 2009) “ (…) PORTANTO CONDENAM AO RÉU Joaquim José da Silva Xavier por alcunha o Tiradentes Alferes que foi da tropa paga da Capitania de Minas a que(…) seja conduzido pelas ruas públicas ao lugar da forca e nela morra para sempre, e que depois de morto lhe seja cortada a cabeça e levada a Vila Rica onde

no lugar mais público seja pregada num poste alto até que o tempo a consuma, e o seu corpo será dividido em quatro quartos e pregados em postes,

pelo caminho de Minas (…) até que o tempo também os consuma; declaram o Réu infame, e seus filhos e netos (…) e a casa em que vivia em Vila Rica será

arrasada e salgada, para que nunca mais no chão se edifique (…)” (Autos da Devassa da Inconfidência Mineira, v.7, p.209)

Explique por que, em fins do século XVIII, a monarquia portuguesa condenou Tiradentes a uma pena tão dura e pública, como a descrita na sentença acima.

 

 

31,5  (PVS) – Com base no texto desta apostila, identifique duas razões para a opção política adotada para o Brasil no imediato pós-independência.

 

32 –  (UFRJ 2003) –[A colonização portuguesa na América deu-se] menos pela ação oficial do que pelo braço e pela espada do particular (…): senhores de engenho com altar e capelão dentro de casa e índios de arco e flecha ou negros armados de arcabuzes às suas ordens; donos de terras e de escravos que dos senados de Câmara falaram sempre grosso aos representantes d’el-Rei e pela voz liberal dos filhos padres ou doutores clamaram contra toda espécie de abusos da Metrópole e da própria Madre Igreja. Bem diversos dos criollos ricos e dos bacharéis letrados da América espanhola – por longo tempo inermes à sombra dominadora das catedrais e dos palácios dos vice-reis, ou constituídos em cabildos que em geral só faziam servir de mangação aos reinóis todo-poderosos”.FREYRE, Gilberto. Casa-Grande & Senzala. Rio de Janeiro: Record, 1997, pp. 4-5.

O texto acima enfatiza a existência de algumas diferenças políticas e culturais entre a América portuguesa e a América espanhola durante a época colonial.

Questão A – Identifique e explique um fator econômico que, no século XVI, tenha levado a Espanha a buscar estabelecer maior controle do que Portugal sobre as conquistas americanas.

Questão B – Apresente um argumento de natureza populacional que permita considerar Minas Gerais uma área colonial brasileira de características próximas às observadas na América espanhola.

 

 

 

33 – (UFRJ 2002)

 

                                                          

 

 

 

 

 

                                                  Fonte: Saga, vol. 2, p. 125.

O mapa  indica as principais rotas de abastecimento para Minas Gerais durante o século XVIII.

1.Com base na leitura do mapa acima, identifique uma região do Brasil colonial cujo desenvolvimento esteve relacionado ao abastecimento da Capitania de Minas Gerais no século XVIII, justificando a sua resposta;

 

 

2. Identifique duas conseqüências estritamente demográficas relacionadas à afirmação do sistema minerador da região na época considerada.

 

 

34 –  (UFRJ 1996) – “… O  sangue dos que foram chacinados, a voz lamentosa da natureza grita é hora de nos separarmos. Mesmo a distância a que Deus colocou a Inglaterra e a América, é uma prova forte e natural de que a autoridade de uma sobre a outra não era a vontade dos céus… Um governo nosso é um direito nosso…  Portanto,  que é que queremos?  Por que hesitamos?  Da parte da Inglaterra não esperamos nada, a não ser a ruína… nada pode resolver nossa situação tão rapidamente quanto uma Declaração de Independência, aberta e feita com determinação.”  Panfleto de Thomas Paine intitulado Bom Senso, de 10 de janeiro de 1776, citado por HUBERMAN, Leo: História da Riqueza dos EUA (Nós,o povo.), São Paulo, Ed. Brasiliense, 3a. Ed., 1983, pp.63-4.

            O documento acima expressa algumas das idéias que, pouco mais tarde, estariam contidas na Declaração de Independência das Treze Colônias da América do Norte.

a) Cite dois fatores que tenham contribuído para a independência das Treze Colônias.

b) Explique a frase sublinhada, relacionando-a com as idéias que fundamentam o processo de independência das Treze Colônias.

 

 

35 – (UFRJ 2001) — “A posição dos moradores do hemisfério americano foi, durante séculos, meramente passiva: sua existência política era nula. Estávamos num grau ainda mais baixo que a servidão e, por isso, com maiores dificuldades para elevarmo-nos ao gozo da liberdade. (…) Os Estados são escravos pela natureza da sua Constituição ou pelo abuso dela. Logo, um povo é escravo quando o governo, por sua essência ou por seus vícios, espezinha e usurpa os direitos do cidadão ou súdito. Aplicando estes princípios, veremos que a América estava privada da sua liberdade e também da tirania ativa e dominante”

(In: Simon Bolívar: Política. (Orgs.) Manoel Lelo Belloto e Anna Maria Martinez Corrêa. São Paulo, Ática, 1983, pp. 80)

Assim escreveria Simon Bolívar, em 1815, na chamada Carta de Jamaica – também conhecida como Carta Profética, na qual faria uma avaliação sobre as tendências políticas dos movimentos de independência na América Espanhola. Entre o final do século XVIII e as primeiras décadas do século XIX, os processos de independência das áreas coloniais americanas (principalmente América Inglesa e América Espanhola) conheceriam complexidades históricas e desdobramentos políticos diversos.

a) Identifique o regime político predominante implantado pelos movimentos de independência das colônias da América Espanhola.

 

b) Identifique duas características fundamentais relacionadas à crise do Antigo Sistema Colonial e aos movimentos de independência das colônias americanas.

36 – (UFC 2007) – Na manhã de 12 de agosto de 1798, um panfleto revolucionário afixado em vários lugares da cidade de Salvador dizia:

 “Povo, o tempo é chegado para vós defendêreis a vossa Liberdade; o dia da nossa revolução, da nossa Liberdade e de nossa felicidade está para chegar, animai-vos que sereis felizes”.     PRIORE, Mary Del et al (Org.). Documentos de História do Brasil – de Cabral aos anos 90. São Paulo: Scipione, 1997, p. 38.

A partir desse texto e de seus conhecimentos, responda às questões propostas.

A) Que movimento produziu o panfleto citado?

B) Cite três acontecimentos ocorridos no período, na esfera internacional, que podem ser relacionados a esse movimento.

C) Cite dois objetivos do movimento ao qual o texto acima se refere.

D) Apresente a relação entre a dureza das penas impostas aos principais acusados e a condição social da maioria dos participantes desse movimento.

 

 

37 – (UFC 2006) — A vinda  da  família  real  para  o Brasil,  em  1808,  alterou  a  vida  e  a dinâmica  da  colônia,  bem  como  da nobreza, ao transformar o Rio de Janeiro no centro de decisões do Império português. 

A)  Qual  o  papel  da  França  e  da  Inglaterra  no  contexto  político  internacional  em  que  ocorreu  a transferência da família real para o Brasil?

B)  Identifique quem foi favorecido e quem foi prejudicado com a abertura dos portos, decretada por D. João e explique por quê.

 

 

 

38 – (UFRJ 1997)  “(…) Desejo mais do que outro, ver formar-se na América a maior nação do mundo, não tanto pela sua extensão e riquezas como pela sua liberdade e glória.” Simón Bolívar. Carta de Jamaica, 1815.

Simón Bolívar (1783-1830), um dos mais importantes líderes da luta pela independência das colônias espanholas na América, formulou uma série de propostas para o futuro do continente que, por diversas razões, não se concretizaram. No entanto, suas idéias servem como fundamento para o pan-americanismo ao longo dos séculos XIX e XX.

a)Identifique, a partir do texto, uma característica da proposta política de Bolívar para a América Independente.

b)Explique por que as idéias de Bolívar não foram concretizadas na América hispânica independente.

 

 

39 – (UERJ 2005) Em fevereiro de 2004, o Haiti oi manchete de jornais e revistas, em função da saída de seu primeiro presidente eleito de forma direta, Jean-Bertrand Aristides, frente à crescente oposição interna. A história de lutas no Haiti começou, no entanto, no final do século XVIII, quando ocorreram os primeiros movimentos de resistência à dominação francesa. Somente em 1804, após mais de dez anos de conflitos, essa colônia conquistou sua independência, passando a se chamar Haiti.

a) Identifique o episódio da conjuntura internacional que influenciou, em agosto de 1791, no Haiti, o levante contra a dominação dos franceses e justifique sua resposta.

B)Aponte a característica que distinguiu o processo de independência do Haiti do das outras colônias americanas e um reflexo dessa característica sobre as elites brasileiras da primeira metade do século XIX.

 

 

40 – (UERJ / 2005) “[O Brasil era] a morada da pobreza, berço da preguiça, teatro dos vícios.” (VILHENA, Luís dos Santos. A Bahia no século XVII. Bahia: Itapuã, 1969.)

A avaliação acima, feita por um português do final do século XVIII, aponta alguns traços da sociedade do Brasil colonial, permitindo inferir que, ao lado dos ricos

proprietários de terra, existiam grupos marginalizados.

a) Indique dois grupos sociais que constituem os marginalizados da sociedade colonial.

b) Descreva o papel desempenhado pelos grandes proprietários de terra na vida política e administrativa do Brasil colonial.

 

41 – (PUC-RIO 2009) –  A Conjuração Baiana foi um dos movimentos político-sociais ocorridos na América portuguesa que assinalam o contexto de crise do sistema colonial. Leia a seguir um trecho de um dos panfletos sediciosos afixados em locais importantes da cidade de Salvador no ano de 1798.

“Aviso ao Povo Bahiense

Ó vós Homens Cidadãos; ó vós Povos curvados, e abandonados pelo Rei, pelos seus despotismos, pelos seus Ministros.

Ó vós Povos que nascestes para serdes livres [...], ó vós Povos que viveis flagelados com o pleno poder do indigno coroado,

[...]. Homens, o tempo é chegado para vossa ressurreição, sim para ressuscitardes do abismo da escravidão, para levantardes a sagrada bandeira da Liberdade.

(Retirado e adaptado de DEL PRIORE, Mary et al. Documentos de História do Brasil: de Cabral aos anos 90. São Paulo, Scipione, 1997. p.38)

 

a) ESCOLHA e TRANSCREVA uma passagem do documento que evidencie a insatisfação dos conjurados baianos com a situação política da época. JUSTIFIQUE sua escolha.

 

 

b) APRESENTE uma diferença entre a Conjuração Baiana (1798) e a Inconfidência Mineira (1789).

 

 

 

42 – (UFRRJ 2006) –“ “No clima de opinião que se seguiu à revolta de São Domingos [Haiti], a descoberta de planos de uma revolta armada dos artesãos mulatos da Bahia [Conjuração Baiana], no decorrer de 1798, teve um impacto todo especial, pois os planos demonstravam o que os brancos pensantes já haviam começado a perceber: as idéias de igualdade social, se propagadas em uma sociedade onde apenas um terço da população era branca, seriam, inevitavelmente, interpretadas em termos raciais”.(MAXWELL, Kenneth. Chocolate, piratas e outros malandros. Ensaios tropicais. São Paulo, Paz e Terra, 1999.p.167)

As revoltas ocorridasem São Domingosno final do século XVIII levaram a colônia antilhana a um movimento de emancipação política bastante peculiar (1804). Essas revoltas influenciaram movimentos populares ocorridos em outras sociedades latino-americanas, inclusive no Brasil.

a) Apresente uma diferença entre o processo de emancipação política do Haiti e o dos demais movimentos de emancipação latino-americanos.

 

b) Cite uma proposta da Conjuração Baiana que evidencie a influência das revoltas de São Domingos.

 

 

 

 

Gabarito da Apostila:

Cap. 5

1) (Enem 2003)–  Resposta : opção  D

 

 

3) (simulado Enem 2009)–  Resposta : opção  B

 

4) (Enem 2009)–  Resposta : opção  B

 

5) (UFRJ adaptada)  – Gabarito oficial : O candidato deverá citar dois objetivos da participação da Igreja Católica no processo de conquista da América Latina, entre as seguintes referências: integração das populações nativas à cristandade (catequese/missões); ocupação de espaço político na América (nomeação de representantes do poder colonial indicados pela metrópole); associação com objetivos mercantilistas do Estado absolutista.

 

6) (UFRJ) – Gabarito oficial : O candidato deverá analisar uma das formas de trabalho predominantes na América espanhola com base nas seguintes referências: os objetivos do sistema colonial, a influência da Igreja Católica no processo de conquista e colonização, as atividades econômicas desenvolvidas com a utilização da mão-de-obra nativa e africana, a organização econômico-social das sociedades indígenas que habitavam o continente, o funcionamento e concepção dos repartimientos, da encomienda , da mita e do trabalho escravo africano. 

 

7) (PUC- RJ) Resposta : opção  C

 

Cap. 6

1) (ENEM 2003) – Resposta: opção D

2) (ENEM 2006) – Resposta: opção D

3) (ENEM 2009) – Resposta: opção E

4) (ENEM 2009) – Resposta: opção B

5) (ENEM 2009) – Resposta: opção B

6) (ENEM 2009) – Resposta: opção E

7) (ENEM 2009) – Resposta: opção E

Cap. 7

1) (ENEM 2010) Resposta : opção E

2) (ENEM 2010) Resposta : opção E

3) (ENEM 2010) Resposta : opção E

4) (ENEM2009) Resposta: opção D

Cap. 8

1) (ENEM 2010) Resposta : opção C

2) (ENEM 2010) Resposta : opção B

3) (ENEM 2010) Resposta : opção C

4) CEDERJ 2009) Resposta: opção B

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